China dá alento a exportação brasileira

Indústria do país asiático mostra sinais positivos, o que já se reflete, por exemplo, no preço do minério de ferro vendido pelo Brasil

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2013 | 02h06

A economia chinesa tem dado recentemente sinais positivos, contrariando previsões de analistas que previam uma desaceleração mais forte. Para o Brasil, esses sinais começam a trazer esperança de um melhor desempenho na balança comercial, já que os chineses são os principais clientes das empresas brasileiras.

A grande surpresa da economia chinesa tem sido o desempenho da indústria, em um momento em que o governo local sinalizou que faria uma reorientação do crescimento econômico para o consumo. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria subiu em setembro. Pela última previsão do Fundo Monetário Internacional, o Produto Interno Bruto da China deve crescer 8% este ano.

A China é a maior importadora de produtos brasileiros, com destaque para o minério de ferro e commodities agrícolas, principais itens da pauta de exportação da balança comercial do Brasil (ver quadro). "A economia chinesa começa a mostrar uma recuperação em relação aos padrões de crescimento dela. O Brasil é impactado toda vez que a China sofre qualquer mudança econômica", afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Os sinais positivos da China ajudaram a elevar a cotação do preço do minério. No mês de agosto, a tonelada do produto foi vendida a US$ 84,7. Na primeira semana de setembro, passou para US$ 86,9, subiu para US$ 94,3 na semana seguinte, e chegou a US$ 99. "A minha expectativa é que essa cotação deve alcançar entre US$ 105 e US$ 108 por tonelada", afirma Castro. Entre janeiro e agosto, a cotação do minério teve uma queda de 2,9%.

Em julho, a AEB previu um déficit de US$ 2 bilhões para o ano mas, segundo Castro, o resultado deste ano pode ficar próximo de um "zero a zero" por causa do efeito minério.

O reaquecimento da economia também abre uma "boa perspectiva" para o primeiro semestre de 2014, segundo Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). "A melhora da China traz uma perspectiva positiva porque a gente esperava desaceleração maior", diz. "Isso é um fato positivo, que terá impacto no nosso comércio exterior."

O ritmo maior da indústria chinesa não deve ser suficiente para reverter o ano ruim da balança comercial. Na semana passada, o próprio Banco Central estimou um superávit de apenas US$ 2 bilhões para este ano, resultado bem abaixo do de 2012, quando o saldo positivo foi de US$ 19,4 bilhões.

Na avaliação do diretor de Pesquisa Econômica da consultoria GO Associados, Fabio Silveira, uma melhora deve ser encarada como um "suspiro". "Pode até haver alguma alta de receita nos próximos meses, mas ela vai ser discreta. Não vai alterar significativamente o resultado das exportações. Eu diria que existe mais torcida do que fundamento para ter alguma melhora das exportações." A GO Associados prevê um saldo de US$ 2 bilhões na balança comercial deste ano.

De acordo com o economista, qualquer ganho com o minério daqui para a frente em 2013 vai servir para recuperar o espaço perdido pela produção brasileira para a Austrália na China.

"A Austrália é um fornecedor mais próximo do mercado chinês, com uma oferta da produto boa e frete mais barato", afirma Silveira. Ele também destaca que a receita do minério de ferro exportada deve avançar pouco este ano: será de US$ 32 bilhões, ante US$ 31 bilhões do ano passado. Em 2011, foi de US$ 41 bilhões.

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