China dá passo atrás na abertura de mercados agrícolas

Pequim quer fechar mercados de arroz, açúcar e algodão, e o que afeta o Brasil e outros países

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2008 | 16h02

O governo da China dificulta um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC) e alerta que não irá abrir seu mercado para produtos agrícolas e têxteis, além de recusar a liberalização de seus setores industriais. Pequim anunciou neste domingo, 27, que não reduzirá suas barreiras para a importação de açúcar, arroz e algodão. Já o governo americano acusa a China de estar querendo benefícios da Rodada sem fazer qualquer concessão.   Veja também: Rodada Doha: entenda o que está em jogo em Genebra UE oferece ao Brasil acordo sobre etanol na OMC Brasil terá que convencer Índia e Argentina por acordo na OMC Entenda a crise dos alimentos    Pela primeira vez, a China foi convidada pela OMC para fazer parte de um pequeno grupo de países que toma as decisões na entidade. Na condição de segundo maior exportador do mundo, deixar a China de fora das decisões parecia difícil. Mas, agora, os mandarins da política comercial chinesa avisam a que vieram e deixam claro que não vão sair do processo sem ganhos claros.   "A China e os demais países emergentes precisam entender que precisam adotar uma postura responsável e também oferecer ganhos ao sistema multilateral", afirmou Anne Marie Idrac, secretária de Comércio da França. "A China precisa colaborar", afirmou a Representação de Comércio dos Estados Unidos.   A resistência dos chineses em abrirem seu mercado no setor do algodão também impede um acordo para o setor. Isso porque os americanos alegam que apenas poderão cortar seus subsídios internos se forem compensados com maiores possibilidades de exportação.   Por enquanto, a China insiste aos diplomatas de Washington que não haverá uma redução dos atuais 40% na tarifa. Diante do cenário, os americanos continuaram se recusando a aceitar a proposta de corte de 80% dos subsídios apresentada pela OMC.   Brasil e os países africanos que produzem algodão insistem que os americanos precisarão fazer cortes profundos para que haja um acordo na Rodada. Mas segundo o representante do Mali nas negociações, Abdoulaye Sanuko, os americanos foram claros em uma reunião: não vão aceitar cortar seus subsídios enquanto não ganharem novos acesso aos mercados estrangeiros.   Pequim anunciou ainda que não vai aceitar a proposta de cortar tarifas para bens industriais de forma profunda. Os americanos e europeus querem que cada país emergente escolha pelo menos dois setores inteiros para ser liberalizados, como máquinas, químicos ou automóveis.   Brasil   Outro problema seria com o comércio de açúcar. Hoje, a tarifa imposta pela China sobre o açúcar é de 60%, com a cota de 2 milhões de toneladas por ano para o Brasil. Mas não haveria nenhuma redução prevista. Para Marcos Jank, presidente da Unica, Pequim e outros países emergentes já obtiveram ganhos importantes no pacote que se discute na Rodada Doha.   Mas ele admite que os prejuizos imediatos para o Brasil não mudam em relação às atuais leis. "O mercado chinês já é difícil e continuará difícil. Não há mudança alguma. O açúcar continua sendo o produto mais protegido do mundo", afirmou. Hoje, o Brasil exporta apenas 50 mil toneladas de açúcar por ano para a China e sequer completa a cota que tem disponível.   A idéia era de que, com a Rodada, a tarifa dentro dessa cota de açúcar caísse. Mas os chineses agora alegam que não poderão oferecer essa concessão. O anúncio de Pequim irritou também o governo americano, que acreditava que os chineses já haviam embarcado na idéia de um acordo nos próximos dias.   No que se refere ao arroz, a medida chinesa promete afetar as exportações do Uruguai e países asiáticos.   Atualizado às 19 horas

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