China deixa de controlar taxa de empréstimo

Medida visa criar sistema financeiro regido pelo mercado e impulsionar economia

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2013 | 02h12

O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) anunciou ontem a eliminação do piso para a taxa de juros de fornecimento de empréstimos, que era de 70% da taxa de juros de referência estabelecida pela própria autoridade monetária. O banco central chinês destacou que a decisão vai ajudar a reduzir os custos para as empresas na hora de levantar recursos, podendo impulsionar a economia real e a reestruturação econômica.

A medida entra em vigor hoje, segundo informou a agência chinesa de notícias Xinhua.

Analistas de mercado avaliaram que a decisão tomada pelo banco central chinês não deve ter um impacto direto num primeiro momento, mas é um forte sinal de que as autoridades estão dispostas a adotar reformas nos mercados monetários em direção a um sistema mais orientado pelo mercado.

"A decisão para liberalizar a taxa de empréstimo não tem impacto econômico direto, exceto a mensagem positiva de reforma", disse Sebastien Galy, estrategista de câmbio do Société Générale.

"Nós não sentimos que isso terá um impacto muito significativo no mercado, porque, atualmente, a maioria dos empréstimos já está com juros acima das taxas de referência. No entanto, isso destaca a determinação dos formuladores de políticas para impulsionar a liberalização financeira", acrescentou Weisheng He, analista do Citigroup.

Pouca liquidez. O teto para a taxa de depósito, que limita quanto os bancos podem pagar aos correntistas, foi mantido em 110% da taxa de referência. Segundo fontes ouvidas pelo jornal South China Morning Post, as autoridades cogitavam elevar esse teto para 120%, mas a recente crise de liquidez no mercado interbancário forçou o adiamento desses planos.

A liberalização da taxa de concessão de empréstimos já deve pressionar as margens dos bancos, ao reduzir os custos de financiamento. Um aumento do teto para a taxa de depósito poderia desencadear uma competição "nociva" entre as instituições, que forneceriam retornos mais altos para atrair clientes.

As taxas de empréstimo para residências, por sua vez, não serão ajustadas.

O PBoC disse ontem em comunicado que vai continuar reformando as taxas de juros dos depósitos, mas destacou a relação entre isso e os seguros de depósito. "A liberalização da taxa de depósito tem um impacto maior e exige melhores condições. É o passo mais importante, com o maior risco", afirmou a autoridade.

Recentemente o governo chinês deu permissão para que a China Financial Futures Exchange relance, após um intervalo de 18 anos, contratos futuros de bônus do governo, um derivativo financeiro que também pode ajudar a determinar um custo de financiamento orientado pelo mercado.

"Os bancos certamente serão as vítimas dessas reformas no regime das taxas de juros. Os receios com os níveis de empréstimos ruins e a política monetária mais apertada, com margens de juros menores, vão aumentar a pressão sobre os bancos", diz Dong Jun, gestor de fundo de hedge ouvido pelo South China Morning Post.

'Meio passo'. O ministro de Finanças do Japão, Taro Aso, disse que a decisão da China de remover o piso das taxas de juros de empréstimos é somente "meio passo para frente" na tentativa de o país liberalizar seu sistema financeiro. Ele indicou suas dúvidas sobre os efeitos da última medida de Pequim. "Esse foi um passo na direção certa, é isso que eu acho", disse Aso. Mas quando perguntado se a medida é um passo para frente, Aso disse: "Não sei se é um passo para frente. Pode ser meio passo". / DOW JONES NEWSWIRES

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