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China desacelera e prepara 'pouso suave'

País cresceu 9,1% no terceiro trimestre de 2011, o mais baixo nível em dois anos, e expectativa é de que cresça 8% nos próximos trimestres

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2011 | 03h01

A China cresceu 9,1% no terceiro trimestre de 2011, o mais baixo nível em dois anos, e deverá desacelerar ainda mais nos próximos meses, a caminho do que muitos analistas consideram um "pouso suave" necessário para amenizar pressões inflacionárias e evitar a formação de bolhas no mercado imobiliário.

As bolsas caíram na Ásia após a divulgação do dado, em parte porque investidores avaliaram que o resultado não é fraco o bastante para levar Pequim a afrouxar as medidas de aperto monetário adotadas a partir de outubro de 2010 para conter a expansão do crédito e a pressão de alta sobre os preços.

Apesar de o resultado da produção industrial, dos investimentos e das vendas no varejo de setembro indicar aquecimento em relação a agosto, os analistas acreditam que a economia vai desacelerar para perto dos 8% no quarto trimestre de 2011 e no primeiro trimestre de 2012.

O índice de 9,1% ficou acima da expectativa de Dong Tao, economista-chefe do Credit Suisse para o país, que esperava menos de 9%. "O ritmo de crescimento está desacelerando, mas não está lento, especialmente se considerarmos o ambiente global."

O Credit Suisse acredita que a expansão do PIB poderá cair para algo em torno de 7,5% nos próximos dois trimestres, previsão mais pessimista que a da maioria dos analistas. O mercado esperava crescimento entre 9,2% e 9,3% no terceiro trimestre, depois dos 9,7% e 9,5% no primeiro e no segundo trimestres, em relação a iguais períodos de 2010.

"Com o crescimento ainda sólido e a inflação acima de 6%, nós não esperamos nenhuma mudança nas linhas gerais da política monetária no curto prazo", avaliou Wang Tao, economista-chefe do UBS para a China.

Suas previsões apontam para expansão de 8% a 8,5% no quarto trimestre e menos de 8% nos primeiros três meses de 2012.

Ma Xiao Ping, do HSBC, disse que o resultado de 9,1% ficou dentro de suas expectativas. "Estamos a caminho de um pouso suave, mas obviamente ainda não estamos pousando", afirmou Ma, ressaltando que o crescimento do terceiro trimestre continuou "forte". Para os últimos três meses de 2011, ela espera em torno de 8,5%. A previsão para 2012 é de expansão de 8,6%.

Depois de atingir 6,5% em julho, o mais alto nível em três anos, a inflação cedeu para 6,2% em agosto e 6,1% no mês seguinte, ainda acima da meta de 4% estabelecida pelo governo para 2011. Os alimentos lideraram as remarcações, com reajustes que alcançaram 15% em julho.

Além da alta de preços, os principais riscos para a economia chinesa vêm do cenário externo e dos efeitos colaterais criados pelo pacote de estímulo lançado no fim de 2008, que levou a uma explosão monetária e de crédito nos dois anos seguintes.

Martaza Syed, integrante da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) na China, estima que o país é um dos mais vulneráveis a uma eventual contração da economia global.

A alta das exportações desacelerou de maneira acentuada em setembro, para 17,1%, comparados aos 24,5% em agosto. O ritmo de expansão das importações também recuou, de 30,2% para 20,9% entre os dois meses.

A situação dos exportadores privados se agravou no último mês com a queda da demanda externa e o aumento das restrições ao crédito, o que provocou falências na Província de Zhejiang, célebre pela agressividade de seus homens de negócios.

"O setor exportador chinês está enfrentando seu mais difícil período em anos", disse ao jornal oficial China Daily Wei Jianguo, secretário-geral do Centro Chinês para Trocas Econômicas Internacionais, instituição de pesquisas ligada ao governo.

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