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Após desvalorização do yuan, moedas asiáticas perdem valor

Banco Central da China fixou a taxa oficial 1,9% abaixo do nível do dia anterior, antes da abertura do mercado; medida foi adotada para estimular economia local

Agências internacionais

11 de agosto de 2015 | 08h28

Atualizada às 10h40

O Banco do Povo da China (PBOC, o banco central chinês) anunciou nesta terça-feira, 11, a desvalorização do yuan após uma sequência de dados econômicos fracos. A medida provocou uma forte depreciação das moedas asiáticas.

O Banco do Povo da China (PBoC, o banco central chinês) fixou a taxa oficial 1,9% abaixo do nível anterior, antes da abertura do mercado, a 6,2298 yuans por dólar. A iniciativa representou o maior ajuste para baixo do yuan desde 1994. A China estipula um valor intermediário para o yuan frente ao dólar. Nos negócios diários, o yuan pode oscilar até 2% para cima ou para baixo em relação à referência. 

Após a decisão do PBoC, o yuan negociado na China sofreu sua maior perda porcentual num único dia em duas décadas. A moeda chinesa fechou em forte baixa ante o dólar. No fim do dia em Xangai, o dólar estava em 6,3231 yuans, bem acima de 6,2097 yuans do fechamento de segunda-feira. 

O won sul-coreano foi uma das divisas mais atingidas na Ásia, caindo 1,6% a 1.177,40 wons por dólar, ante 1.159,00 wons na abertura dos negócios. O baht tailandês se enfraqueceu 0,7%, com o dólar a 35,30 bahts, enquanto o dólar de Cingapura perdeu 1,2%, com a moeda dos EUA a 1,40 dólar de Cingapura, atingindo os menores patamares em seis e cinco anos, respectivamente. 

No mercado acionário, a Bolsa de Xangai fechou estável. Após uma sessão volátil, o Xangai Composto, principal índice acionário chinês, encerrou o dia a 3.927,91 pontos, inalterado em relação a ontem. 

Reação econômica. A desvalorização da moeda chinesa pode ajudar a impulsionar a economia local por meio da melhora nas exportações. Em julho, as vendas de produto da China sofreram um tombo anual de 8,3%. No acumulado dos primeiros sete meses do ano, as exportações registraram queda de quase 1%, se medidas em dólares. 

"O corte (no valor do yuan) definitivamente ajuda as exportações", comentou Yu Mingliang, diretor de desenvolvimento de negócios da Zhejiang Lianda Forging & Press Co., um fabricante privado de peças mecânicas da cidade de Wenzhou. "Damos boas-vindas a qualquer corte, não importa o tamanho."

Reduzir o valor da moeda chinesa, porém, está longe de ser uma panaceia para os exportadores chineses. Vários deles dizem enfrentar desafios maiores do que a taxa de câmbio, caso da demanda global fraca e do aumento dos custos dos trabalhadores.

"(A decisão) é boa, mas não boa o suficiente, para os exportadores, considerando-se que o principal motivo por trás da situação ruim aqui é a retração da demanda externa", avaliou Zhu Qiucheng, gerente-geral de uma fábrica de maquetes de navios próxima a Xangai. Zhu afirmou também que vem implantando mais linhas de produção automatizadas para compensar o avanço nos custos de mão de obra, que, segundo ele, estão alcançando os níveis vistos em países desenvolvidos.

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