China deverá se transformar na maior exportadora mundial

A China deverá se tornar a maior exportadora mundial neste ano, ultrapassando os Estados Unidos e a Alemanha. De acordo com o ministro do Comércio chinês, Bo Xilai, a China também poderá se transformar na segunda importadora do planeta, ao superar a Alemanha. De olho na repercussão internacional em torno das projeções oficiais, Bo se antecipou. "A redução do superávit é uma das prioridades do comércio exterior chinês em 2007", declarou ao Diário do Povo.As exportações chinesas totalizaram US$ 969 bilhões no ano passado, com um avanço de 27,2% na comparação com 2005, enquanto as importações subiram 20%, para US$ 791,5 bilhões. O estrondoso superávit de US$ 175 bilhões, 75% maior frente ao exercício anterior, levou o ministro chinês a reconhecer publicamente que as vendas externas nacionais "são muito superiores às importações", impulsionando os atritos com os seus principais parceiros comerciais, especialmente os Estados Unidos. Para Washington, o yuan continua artificialmente subvalorizado, facilitando a inserção dos produtos chineses no mercado internacional.Segundo Bo, a China - que ocupa a 149ª posição no ranking das economias mais abertas do mundo, de acordo com a pesquisa Índice de Liberdade Econômica 2007 - deve fomentar o mercado doméstico e diminuir as restrições para as importações de "produtos com grande demanda interna".O ministro, contudo, não foi a única voz de peso a se pronunciar sobre o assunto. "Promoveremos novas reformas no mercado interno e melhoraremos a nossa logística", prometeu a vice-primeira-ministra, Wu Yu, ao lembrar que a China precisa "superar os desequilíbrios estruturais de sua economia".A China, a fábrica mundial, ocupa a liderança global de exportações de uma lista interminável de produtos, entre eles, têxteis, calçados, relógios, contêineres, aço, e, agora, a de aparelhos elétricos. Conforme a Agência de Notícias Xinhua, as vendas externas nacionais de aparelhos elétricos no ano passado somaram US$ 78 bilhões, contra os US$ 64 bilhões exportados pela Alemanha.As exportações chinesas também são as principais responsáveis pelos US$ 1,06 trilhão em reservas cambiais. "A tendência é que o yuan se valorize entre 8% e 10% neste ano", apontou o Diário do Povo, numa clara sinalização de Pequim ao mercado.Para os analistas da Agência de Notícias Xinhua, no entanto, o superávit chinês deverá ultrapassar a casa de US$ 200 bilhões neste ano. "O ritmo de crescimento das exportações deverá cair de 20% para 15%, enquanto a taxa de expansão das importações permanecerá no mesmo patamar", afirmam no Relatório de Análise Econômica para 2007.

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