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China dificulta negociação de Doha

País diz que vetaria Rodada, caso seja obrigado a abrir mercado para produtos industriais de outros países

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

A China desperta para as negociações da Rodada Doha e assusta a Organização Mundial do Comércio (OMC) ao deixar claro que "vetaria" um acordo em Genebra se for obrigada a abrir seu mercado para produtos industriais de outros países. Ontem, o Brasil ainda insistiu para que fosse dado ao Mercosul certas concessões no setor industrial. Mas os emergentes não estão unidos e o bloco não conseguiu apoio nem de todos os países da região. Paquistão, Equador, Israel, Peru, Colômbia, México, Tailândia, Cingapura, Hong Kong e Costa Rica rejeitaram a proposta do Brasil.Na próxima semana, a Rodada Doha completa seis anos desde seu lançamento. Mas o debate sobre seu futuro está em situação cada vez mais difícil. Para os chineses, Pequim já fez esforços consideráveis para abrir sua economia há cinco anos, quando entrou na OMC. Agora, quer um período mais longo que os demais países para cortar suas tarifas, o que está sendo negado por quase todos.Pequim, porém, alertou que tem orientações da cúpula do Partido Comunista para vetar um acordo se seus interesses não forem atendidos.O comentário chinês causou apreensões entre os negociadores e serviu como um alerta de que a Rodada pode estar ainda mais distante de um acordo do que se previa. A União Européia fez questão de criticar a posição dos chineses e da ameaça de veto e destacou que atitudes como essa poderiam ter sérias conseqüências políticas. A França, porém, já havia feito a mesma declaração há um ano ao ser confrontada sobre a abertura de seu mercado agrícola.Originalmente, a China queria prazo de uma década para abrir seu mercado. Mas reduziu o período para quatro ou cinco anos. Muitos países alegam que não poderão fazer concessões aos chineses, enquanto Pequim deve se beneficiar mais da Rodada. Hoje, as exportações chinesas são as que mais crescem no mundo e já somam um superávit com os Estados Unidos de US$ 232,5 bilhões.O Brasil insiste na necessidade também de garantir maior flexibilidade ao Mercosul, permitindo que o bloco possa continuar com certas barreiras às importações.CONCESSÃOÁfrica do Sul, Venezuela, Namíbia, Índia e Egito saíram em defesa do Brasil. Mas a proposta está dividindo os países emergentes. Os governos contrários à idéia brasileira alegam que não se pode fazer mais uma concessão ao Brasil.Europa, Japão, Canadá, Estados Unidos e Suíça também atacaram a proposta, alegando que acordos regionais como o Mercosul não poderiam ter prevalência sobre as regras multilaterais. O próprio Mercosul teve dificuldades para chegar a um acordo sobre a proposta, já que Uruguai resistia à idéia.Para o mediador das negociações sobre produtos industriais, Don Stephanson, as diferenças de posições entre os países não permitem que o processo avance. Segundo ele, não há sinais de convergência.Ontem, nos Estados Unidos, o comissário de Comércio da Europa, Peter Mandelson, reconheceu que um eventual acordo na OMC não trará ganhos substanciais para os americanos ou europeus. "Não é um acordo ideal para ninguém e menos ainda em comparação ao que Europa e Estados Unidos esperavam originalmente. Não há nenhum grande triunfo para ser trazido de volta à casa das salas de conferência", disse Mandelson.

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