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China diz que crise de 2008 persiste

País alerta para o fato de que os remédios usados até agora, como corte de juro e aumento de gastos públicos, estão perdendo eficiência

Fernando Nakagawa / Enviado Especial a Chengdu, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2016 | 05h00

A China fez um forte alerta sobre a situação econômica global no primeiro dia da reunião das 20 maiores potências do mundo, o G-20. O país anfitrião defende que a crise de 2008 continua gerando problemas e os remédios usados até agora por autoridades, como corte de juro e aumento de gastos públicos, têm perdido a eficiência. O Brasil tentou reforçar a imagem de que está ajustando as contas públicas e que, em seguida, deve passar à agenda de outras reformas, como a da Previdência.

Após gerar uma onda de medo sobre o futuro econômico no início do ano, a China saiu da lista das grandes preocupações dos investidores nas últimas semanas. O ritmo de crescimento se estabilizou e os ativos financeiros chineses pararam de oscilar bruscamente, o que gerava medo de estouro de bolhas. Apesar dessa melhora, o governo da segunda maior economia do mundo continua preocupado.

O ministro de Finanças da China, Lou Jiwei, reconheceu ontem que a crise financeira ainda gera desdobramentos e a economia global segue em “conjuntura crítica” e citou como exemplos a estagnação do comércio internacional, aumento da volatilidade financeira e queda do preço das commodities. Em seminário no 1.º dia do encontro financeiro do G-20, o ministro reconheceu o esforço de governos para tentar amenizar os problemas, mas diz que isso não é suficiente. “Os efeitos da política fiscal e monetária estão diminuindo e os aspectos negativos (da crise) estão ficando mais aparentes.”

Jiwei defende que o receituário tradicional, como levar o juro para baixo ou elevar o gasto público, não surte mais o mesmo efeito do passado. Isso aconteceria porque há muitos desequilíbrios estruturais, como na produtividade, desigualdade social e inovação. Diante de velhas ferramentas que parecem empenadas, o chinês reafirmou a necessidade de reformas estruturais.

Entre os novos problemas, a saída do Reino Unido da União Europeia é um tema frequente no grupo. O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Luis Balduino, comentou que os debates reconhecem eventuais riscos, mas prevalece mensagem com tom positivo. “A expectativa é que os parceiros (Reino Unido e UE) terão uma negociação positiva e que isso conseguirá conter o impacto mundial do Brexit”, disse o secretário brasileiro.

Brasil. No primeiro encontro do G-20 após a chegada do governo interino de Michel Temer, o secretário disse que o recado do Brasil é de que está sendo feito um ajuste e destacou a pauta de reformas defendida pela nova equipe econômica. “A mensagem é que estamos fazendo uma mudança estrutural para controlar o gasto público e que, na esteira disso, virão outras reformas, como a da Previdência e para o aumento da produtividade”, disse

Além do ajuste fiscal, Balduino também reafirmou o plano para melhorar a infraestrutura com a concessão de projetos à iniciativa privada. “São medidas importantes para criar confiança e restabelecer as condições para o crescimento”, diz.

A reação das demais grandes economias globais tem sido, segundo o secretário, positiva. “Chama atenção que as conversas que tenho tido revelam a percepção de que a situação brasileira está mudando. Ouvi isso em comentários de vários colegas. Muitos citam a mudança de rumo positivo da economia. Essa é uma percepção que parece ser compartilhada por muitos”, disse. Questionado sobre eventuais opiniões contrárias, Balduino disse que “ninguém veio fazer críticas”.

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