China diz que mercado terá 'papel decisivo'

Partido aprova diretrizes para reformas, mas ressalta importância das estatais

O Estado de S.Paulo - Dow Jones Newswires

13 de novembro de 2013 | 02h07

PEQUIM - O Partido Comunista da China encerrou ontem a plenária de quatro dias que aprovou diretrizes para reformas econômicas no país e deixou claro que o mercado terá uma papel "decisivo" na alocação de recursos. Conhecida como Terceira Sessão Plenária do 18.º Comitê Central do Partido Comunista, a reunião tinha como objetivo definir uma agenda econômica para os próximos anos.

Segundo a agência de notícias Xinhua, o mercado foi definido, em várias ocasiões, com um papel "básico" na alocação de recursos desde que o país decidiu construir uma economia socialista de mercado em 1992. No entanto, a agência ressalvou que lidar com a relação entre o governo e o mercado é uma "questão central" no país.

O Partido Comunista também ressaltou que reformar o sistema econômico do país é prioridade e "resultados decisivos" deverão ser conquistados até 2020. O otimismo com a possibilidade de os novos líderes da China adotarem reformas do sistema econômico e financeiro tem sido contrabalançado por dúvidas sobre o apetite reformista do presidente Xi Jinping e do premiê Li Keqiang, assim como a capacidade de conduzirem mudanças ante interesses diversos no país.

Muito vago. O comunicado divulgado pelo Partido Comunista chinês foi considerado muito vago e levou alguns economistas a questionar se as lideranças do país têm vontade política de continuar com reformas para reduzir o tradicional domínio do Estado e revigorar a economia em desaceleração.

O texto não trouxe todos os detalhes do plano adotado pelo presidente, pelo primeiro-ministro e por outros líderes do primeiro escalão. A reunião foi convocada para buscar um consenso entre os comandantes do partido, do governo e das Forças Armadas.

Um documento mais elaborado será divulgado nos próximos dias. O comunicado, porém, traz uma prévia das prioridades de Pequim. Para analistas, os sinais são conflitantes.

"Essa foi uma oportunidade para o partido fornecer uma visão clara de qual direção esse país está seguindo", comentou Mark Williams, economista da Capital Economics. "Se eles tivessem feito isso, acredito que teria um grande impacto no comportamento das autoridades, mas não acho que a orientação tenha sido clara."

Faltaram menções ao controle da China sobre as taxas de juros e fluxos de capital e esforços para reformar o sistema de cadastro de famílias, que nega benefícios sociais a trabalhadores que migraram das áreas rurais para as urbanas. O comunicado, por outro lado, defende mais reformas financeiras e fiscais.

Estatais. O comunicado também foi dúbio em relação às estatais, que controlam setores como energia, infraestrutura e telecomunicações e são criticadas por economistas por impedir a iniciativa empresarial.

Os líderes reconheceram que tanto as estatais quanto as empresas privadas "são importantes pilares do desenvolvimento econômico e social" e defenderam a concorrência justa, a liberdade de escolha dos consumidores e a eliminação de barreiras.

Ao mesmo tempo, o documento afirma que as reformas "devem evidenciar o papel relevante da economia estatal", sugerindo que as gigantescas estatais chinesas continuarão a exercer forte influência.

"(Os líderes) enfatizam o papel do mercado, mas estabelecem uma linha bem clara em torno de coisas que são importantes para eles", disse Andrew Polk, economista do Conference Board. Segundo ele, o domínio das estatais "não acabará tão cedo".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.