China diz que saída de capital não é sinal de pânico

As recentes saídas de capital da China são "normais" e não um sinal de pânico, disse ontem o vice-diretor da Administração Estatal de Câmbio, Wang Xiaoyi, amenizando os temores de crescentes saídas de recursos, com a desaceleração da economia. "As mudanças atuais (nos fluxos de capital) são normais, o que não podem ser consideradas como uma fuga de capital", disse Wang, em uma entrevista coletiva.

O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2015 | 02h05

As principais razões para as recentes saídas são a maior disposição de companhias e indivíduos de manter moedas estrangeiras, as ações de empresas que estão ajustando suas estruturas de dívidas em moeda estrangeira e aumentando os investimentos no exterior, disse Wang.

As reservas internacionais da China tiveram sua maior queda trimestral no período de julho a setembro, com o banco central aumentando a intervenção para estabilizar o yuan e acalmar a confiança após a desvalorização surpresa da moeda em 11 de agosto, que abalou os mercados globais.

Os bancos comerciais chineses tiveram vendas líquidas de 729,6 bilhões de yuans (US$ 114,6 bilhões) em nome de seus clientes em setembro, abaixo dos 807 bilhões de yuans (US$ 126,9 bilhões) de agosto, mas ainda mostrando sinais de saída de capital, segundo dados divulgados ontem.

Alguns investidores já estavam retirando recursos da China e de outros mercados emergentes bem antes da desvalorização com preocupações sobre a extensão da desaceleração econômica da China e uma possível alta dos juros nos Estados Unidos.

Desafios. Para a agência de classificação de risco Moody's, a desaceleração da China e o aumento de seu risco de crédito são sintomas dos desafios que o país asiático enfrenta em meio ao reequilíbrio estrutural e se tornaram mais evidentes desde meados do ano. "Eventos recentes tenderam a ilustrar a escala da tarefa que se impõe às autoridades (chinesas) para administrar os ganhos e perdas de políticas envolvidos no reequilíbrio estrutural", disse Jenny Shi, diretora-gerente da Moody's, em comunicado.

Para a Moody's, o desafio do reequilíbrio implica executar a reestruturação econômica, reformas, liberalização dos mercados e a redução da tomada de crédito, com o objetivo de afastar os catalisadores de crescimento dos investimentos promovidos pelo Estado, sem sacrificar a estabilidade macroeconômica de curto prazo.

A Moody's acredita que as preocupações de Pequim com o crescimento vão testar sua habilidade e disposição de adotar políticas econômicas de longo prazo e de liberalizar os mercados, metas que podem ter efeitos negativos de curto prazo na expansão econômica. / REUTERS E SERGIO CALDAS

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