Reuters/Petar Kujundzic
Reuters/Petar Kujundzic

China é 9º maior investidor em empresas brasileiras, segundo BC

Apesar do interesse cada vez maior de chineses por negócios em países emergentes, o país asiático ainda está longe de ser o principal investidor na área produtiva no Brasil, posição hoje ocupada pelos Estados Unidos

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2018 | 15h34

BRASÍLIA - Apesar do crescente interesse dos chineses por negócios em países emergentes, a China está longe de ser o principal investidor na área produtiva no Brasil. Dados do Banco Central mostram que o país asiático ocupa apenas a nona posição no ranking de países que investem em empresas brasileiras. No topo do ranking aparecem os EUA, com quase seis vezes o montante investido pela China.

O Relatório de Investimento Direto, divulgado nesta terça-feira, 27, pelo BC, mostra que no fim de 2017 a China era responsável por US$ 20,97 bilhões em investimento no capital feito no Brasil. Este valor colocava o país asiático na nona posição do ranking, com cerca de 4% de todo o investimento em participação no capital brasileiro, de US$ 539,92 bilhões.

A participação no capital é um dos itens do Investimento Direto no País (IDP) e contabiliza os aportes, feitos por estrangeiros, que tenham como objetivo a compra de participação em empresas em funcionamento ou a construção de novas plantas no Brasil, por exemplo. É um dinheiro considerado de "melhor qualidade", por estar voltado para a produção e ter potencial de geração de empregos.

Os números mostram que a China quase dobrou sua posição em 2017. Em 2016, o país asiático mantinha o equivalente a R$ 11,99 bilhões de investimento em participação no capital no Brasil, ou 2% do total. 

No ano passado, a China aumentou seus investimentos, principalmente em função dos aportes ocorridos nos setores de energia e gás, o que elevou sua participação. Ainda assim, o país está distante dos números americanos. De acordo com o BC, os EUA mantinham US$ 118,66 bilhões de investimentos em participação no capital brasileiro no fim de 2017, o equivalente a 22% do total. Na sequência, aparecem cinco países europeus: Espanha (12%), Bélgica (10%), França (7%), Suíça (5%) e Países Baixos (4%). Japão (4%) e Reino Unido (4%) também estão à frente da China.

Investidor imediato

As posições ocupadas por estes países dizem respeito ao ranking por "controlador final", que reflete de onde vem, efetivamente, o capital investido em empresas que estão no Brasil. 

O relatório do BC, no entanto, também traz informações sobre os "investidores imediatos". Neste caso, o ranking é formado conforme a origem imediata dos recursos. Uma empresa chinesa, por exemplo, pode ter aportado recursos em outra empresa localizada nos Países Baixos que, por sua vez, investiu no Brasil. Assim, os Países Baixos são o "investidor imediato".

O ranking por investidores imediatos mostra os Países Baixos na liderança, com US$ 134,12 bilhões de participação no capital (25% do total). Na sequência, aparecem os EUA, com US$ 95,14 bilhões (18%). A China está apenas na 25ª posição, com US$ 1,81 bilhão (menos de 1%). Na prática, os dados indicam que boa parte dos recursos vindos da China passa por outros países antes de chegar ao Brasil. Essa triangulação é feita, muitas vezes, em função de benefícios fiscais presentes em outros países.

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