China e EUA perdem com sobretaxa

Aumento de imposto de importação pelo Brasil também afeta Alemanha e Coreia do Sul 

Iuri Dantas, de O Estado de S. Paulo,

06 de setembro de 2012 | 22h33

A sobretaxa aplicada a 100 produtos que o Brasil compra do exterior provocará perdas maiores à China, Estados Unidos, Alemanha e Coreia do Sul. Levantamento feito pelo ‘Estado’ mostra que, juntas, as três maiores economias do mundo mais o tigre asiático responderam neste ano por quase metade das importações brasileiras destes itens cujas tarifas foram elevadas pelo governo com o intuito de elevar a competitividade da indústria nacional.

Estas mercadorias representaram US$ 4,9 bilhões das importações do País de janeiro a julho deste ano, o equivalente a 3,82% do total de compras externas registradas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Quase um em cada cinco dólares pagos por compradores brasileiros destes itens foi para o bolso de chineses, que venderam US$ 841 milhões.

Vieram dos Estados Unidos outros US$ 769 milhões. A Coreia do Sul remeteu US$ 361 milhões e da Alemanha saíram US$ 333 milhões. Todos os demais países venderam menos de US$ 200 milhões ao Brasil, à exceção da Argentina, que não vai pagar mais imposto por ser integrante do Mercosul. Em tese, o trio de maior PIB do planeta e os sul-coreanos tendem a exportar menos, porque suas mercadorias ficam mais caras no País com a sobretaxa. "Nossos produtos industriais estão com baixa competitividade", assinalou o consultor Mauro Laviola, diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). "Como política geral não é muito acertada porque, em vez de reduzir, está aumentando impostos."

Concorrência

Os números indicam a dificuldade da indústria nacional de competir com parques manufatureiros extremamente diferentes, como Alemanha e China, os dois maiores exportadores mundiais. Segundo o governo, a crise vem forçando indústrias no mundo inteiro a cortarem preços para conseguir compradores, caso que não se aplica ao Brasil, onde o mercado interno aquecido pressiona a inflação.

Diante do baixo preço dos produtos fabricados lá fora, o Mercosul decidiu elevar o imposto de importação praticado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela sobre um total de 200 produtos. Metade da lista nacional foi apresentada na terça-feira, pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. A sobretaxa começa em 26 de setembro, vale até 2014, e até o fim do mês o governo brasileiro espera atingir os 200 itens.

Segundo o ex-secretário de Comércio Exterior e consultor, Welber Barral, a decisão visa reduzir a pressão de importados sobre produtores nacionais, sem mirar em países específicos. "Não creio que faça parte de relações bilaterais", afirmou. Para Manolo Canosa, presidente da Comissão de Defesa da Indústria Brasileira (CDIB), "pesou o lobby mais forte" na escolha do governo. "Não atendeu às empresas que estão sendo destruídas", reclamou.

O Ministério do Desenvolvimento negou que a lista tenha o objetivo de frear importações das maiores economias e da Coreia. "A lista acaba refletindo o fluxo comercial, porque estes países são as principais origens das importações brasileiras", informou a Pasta por meio de sua assessoria.

 

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