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China e EUA relaxam restrições comerciais em meio à tensão

Visita de Barack Obama ao gigante asiático ocorre junto com investigações de antidumping pelos chineses

Marcílio Souza, da Agência Estado,

29 de outubro de 2009 | 16h28

Os EUA e a China concluíram negociações nesta quinta-feira que resultaram no relaxamento de restrições em agricultura, tecnologia, viagens e em outros setores comerciais, mas a tensão entre os dois lados continua antes da primeira visita de Barack Obama à China como presidente, marcada para 15 de novembro. Apesar dos acordos que foram fechados, prosseguem as investigações antidumping, pela China, sobre as importações de autopeças provenientes dos EUA.

 

O ministro de Agricultura da China, Sun Zhengcai, disse que seu país decidiu remover uma barreira comercial imposta este ano sobre importações de carne suína de regiões dos EUA atingidas pelo vírus H1N1. As exportações de carne suína dos EUA para a China vinham crescendo rapidamente, tendo atingido US$ 560 milhões no ano passado.

 

O ministro de Comércio da China, Chen Deming, disse aos jornalistas que os EUA, em troca, concordaram em relaxar restrições que já duravam seis anos sobre algumas importações de produtos avícolas da China. Os chineses também prometeram conter a crescente pirataria na Internet, de acordo com o secretário de Comércio dos EUA, Gary Locke. Os EUA acrescentaram que a China vai tomar medidas para melhorar a proteção à propriedade intelectual, reexaminando um protocolo de distribuição de música pela Internet e elevando a proteção para jornais acadêmicos em bibliotecas chinesas.

 

Os norte-americanos disseram ainda que conseguiram maior acesso para que as companhias estrangeiras vendam tecnologia de energia eólica na China. Segundo Locke, 30 mil megawatts de capacidade de geração serão instalados até o final do ano. Em turismo, foi acordado que cidadãos de dois terços das províncias chinesas poderão obter vistos para visitar os EUA em grupos; atualmente, o direito se estende apenas a moradores de um terço das províncias chinesas.

 

Além de Sun, Locke e Chen, as reuniões bilaterais de dois dias envolveram, do lado norte-americano, o representante de comércio, Ron Kirk, e o secretário de Agricultura, Tom Vilsack; e equipe chinesa foi liderada pelo vice-premiê Wang Qishan. As conversas foram conduzidas no âmbito da Comissão Conjunta de Comércio EUA/China (JCCT, na sigla em inglês), um fórum criado para resolver questões entre os dois lados nessa área.

 

Apesar dos acordos, Chen afirmou que seu ministério está investigando possíveis práticas comerciais injustas "envolvendo importações provenientes de empresas automotivas dos EUA". Ele não deu mais detalhes.

 

Tarifas

 

Logo antes da reunião em Hanghzou, Pequim tomou medidas preliminares que podem resultar no aumento de tarifas de importação sobre veículos de luxo fabricados nos EUA, segundo um representante do Departamento de Comércio Justo para Exportações e Importações, ligado ao ministério de Comércio chinês. Se a medida realmente levar a um aumento das tarifas, ela poderá afetar milhares de exportações de veículos dos EUA para os chineses.

 

As medidas ilustram a tensão entre os dois países, que cresceu após os EUA imporem uma sobretaxa de 35% à importação de pneus chineses há dois meses, fazendo com que a China encaminhasse uma queixa junto à OMC e lançasse investigações antidumping sobre as importações de autopeças e produtos avícolas provenientes dos EUA.

 

Nos encontros desta semana, as autoridades tentaram diminuir o atrito entre os dois lados. Locke afirmou que a reunião foi "produtiva". Segundo ele, houve progresso na demonstração "para nossos cidadãos e para todo o mundo de que a China e os EUA podem trabalhar juntos para atingir resultados". Chen disse que os dois lados "se opõem conjuntamente ao protecionismo comercial e de investimentos".

 

O déficit comercial dos EUA com a China somou US$ 147,3 bilhões nos primeiros oito meses deste ano, 15,1% menor que o de igual período do ano passado, mas ainda assim superior ao déficit dos EUA com qualquer outro país.

 

Os dois lados também discutiram a questão do clima em Hangzhou, antes do encontro em Copenhague marcado para dezembro. Ontem, o principal enviado dos EUA para o clima, Todd Stern, disse que não haveria nenhum acordo separado entre os países nessa questão durante a visita de Obama, mas acrescentou que ambos os lados trabalhariam para o sucesso do encontro na Dinamarca. As informações são da Dow Jones.

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