China e EUA se unem para ajudar a Europa

Governo americano teme, porém, que os chineses usem a crise como motivo para adiar mudanças no câmbio

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2010 | 00h00

Os dois pilares da economia mundial, Estados Unidos e China, vão trabalhar juntos para ajudar a Europa a superar a crise da dívida e pressionam por uma solução de longo prazo nas capitais europeias. Divergem, porém, sobre qual seria o impacto da crise.

Washington teme que a China use a crise europeia para adiar mais uma vez mudanças em seu câmbio. O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, desembarca hoje na Europa para pedir que as soluções à crise sejam aceleradas.

Ontem, a cúpula financeira de Pequim e Washington declarou apoio às reformas nos gastos públicos dos governos europeus. O presidente do Banco Central Chinês, Zhou Xiaochuan, anunciou que americanos e chineses chegaram a um consenso sobre a situação na Europa. "Em geral, os dois lados apoiam as medidas que a Europa adotou para superar suas dificuldades."

Nas últimas semanas, a crise europeia passou a ser tratada como ameaça internacional. Em Bruxelas, a União Europeia disse que começou a desenhar novas regras para o bloco como forma de dar uma resposta à crise. O presidente do Banco Mundial, Roberto Zoellick, foi claro em alertar que a crise europeia "tem o potencial de frear a recuperação da economia mundial".

Do lado de Pequim, o alerta é de que a situação na Europa dificulte as exportações de bens chineses, o que legitimaria a manutenção do atual câmbio.

"A crise europeia teve impacto na confiança dos mercados", afirmou o vice-primeiro-ministro chinês, Wang Qishan. "A situação trouxe muitas incertezas à recuperação lenta da economia mundial e adicionou dificuldades aos países relacionados à implementação de políticas macroeconômicas". A Comissão de Planejamento da China também alertou para o impacto nas exportações. A China é o maior fornecedor de bens para a Europa.

O governo americano teme que a situação seja usada pela China para adiar mudanças em seu câmbio, algo que Washington vem pressionando há vários meses. Não por acaso, a situação europeia foi um dos principais temas da reunião ontem entre EUA e China em Pequim.

Geithner tentou convencer os chineses de que a crise teria apenas impacto limitado para a recuperação da economia mundial e que, portanto, não há motivo para manter políticas protecionistas como a desvalorização do yuan.

O secretário americano insistiu que tanto a economia americana como a chinesa e a brasileira estão bem posicionadas. "O crescimento econômico nos Estados Unidos e China é mais amplo e mais forte do que muitos tinham antecipado", disse.

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