REUTERS/Amr Abdallah Dalsh/File Photo
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China e Indonésia suspendem utilização de Boeing 737 MAX 8 após acidente

Companhias aéreas ao redor do mundo têm adotado a suspensão de vôos do modelo da Boeing como medida de precaução

Agências Internacionais

11 de março de 2019 | 10h14

A Indonésia juntou-se à China e à Etiópia e ordenou que as companhias aéreas do país suspendessem o uso do Boeing 737 MAX 8 nesta segunda-feira, após o acidente da Ethiopian Airlines no último domingo, 10. Ainda nesta manhã, as caixas-pretas da aeronave foram encontradas.

A tragédia foi o segundo desastre fatal envolvendo o novo modelo nos últimos meses. Na Indonésia, um Lion Air 737 Max caiu em outubro, matando 189 pessoas. A  Ethiopian Airlines e a caribenha Cayman Airways determinaram a aterrissagem de todos os seus Boeing 737 Max 8. 

O porta-voz da Ethiopian Airlines, Asrat Begashaw, afirmou que, embora as causas do desastre ainda não sejam conhecidas, a empresa deixará de utilizar os outros quatro 737 Max 8 de sua frota "como precaução extra de segurança". A empresa tinha cinco aviões do modelo e aguardava mais 25 entregas.

Já o CEO da Cayman Airways, Fabian Whorms, disse que a decisão de interromper a operação dos dois Boeing 737 Max 8 da empresa se justifica pelo "comprometimento de colocar a segurança dos passageiros e da tripulação em primeiro lugar". A companhia recebeu o primeiro avião do modelo em novembro e o segundo neste mês.

A Boeing disse que está em negociações com reguladores e companhias aéreas sobre quaisquer preocupações que possam ter. "Estamos tomando todas as medidas para entender completamente todos os aspectos deste acidente, trabalhando em estreita colaboração com a equipe de investigação e todas as autoridades reguladoras envolvidas", disse a fabricante de aviões.

As ações da Boeing apresentam retração de mais de 12% no pré-mercado em Nova York.

O caso

O jato da Ethiopian Airlines com destino a Nairóbi caiu minutos depois da decolagem em Adis Abeba no domingo, matando todos a bordo. As vítimas vieram de 33 nações e incluíram 22 funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU).

A descoberta da caixa-preta com o gravador de voz da cabine e os dados digitais de voo, informada pela TV estatal da Etiópia, devem revelar detalhes sobre a causa da queda.

Na cena do acidente, homens com jaquetas da Cruz Vermelha vasculhavam o terreno, colocando itens em sacos pretos, enquanto investigadores procuravam os gravadores de voz da caixa-preta.

“Embora ainda não saibamos a causa do acidente, tivemos que decidir suspender a frota em particular como medida extra de segurança”, disse a Ethiopian Airlines. A companhia tem outros quatro jatos 737 MAX 8, de acordo com o site de rastreamento de voos FlightRadar24.

GOL é a única empresa brasileira que opera com o modelo

De acordo com o site da Boeing, 68 companhias aéreas operam com aeronaves do tipo 737 MAX. No Brasil, a única aérea a operar com o modelo é a Gol, que aposta no avião para renovar e modernizar a frota, ganhar eficiência - o modelo consome 15% menos combustível por assento-quilômetro ofertado em relação aos 737 NG - e ampliar a presença internacional. A companhia tem 135 encomendas dos MAX 8 e 10 com a Boeing e já conta com sete aviões em operação. De acordo com o informado na última divulgação de resultados, a Gol espera terminar 2019 com 24 aeronaves MAX 8, quantidade que deve subir para 34 no encerramento de 2020.

O maior alcance de voo da aeronave permitiu à Gol retomar rotas que havia parado de voar, como para os Estados Unidos, e estender sua malha aérea internacional para novos destinos. Com as primeiras entregas do MAX 8 em 2018, a empresa inaugurou, em novembro, voos diretos para Miami e Orlando a partir de Brasília e Fortaleza. Segundo a própria aérea, o trecho Brasília-Orlando é "o voo regular mais longo do mundo feito com um 737 Max 8, de aproximadamente 6.079 quilômetros". A aeronave também será empregada nas operações entre Guarulhos e Quito (Equador) e entre Brasília e Cancún (México).

A Boeing já entregou cerca de 350 aviões 737 MAX a companhias aéreas de todo o mundo e tem encomendas de mais de 5.000. Após o acidente na Etiópia, a companhia escreveu no Twitter que estava "profundamente entristecida ao saber da morte de passageiros e tripulação" no avião. A gigante americana disse ainda que enviaria técnicos ao local do acidente para ajudar investigadores da Etiópia e dos EUA. /COM LETÍCIA FUCUCHIMA

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