China e Japão fecham amplo acordo financeiro

Um dos objetivos é reduzir o uso do dólar nas operações cambiais entre as duas maiores economias da Ásia

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2011 | 03h02

Os governos chinês e japonês revelaram ontem um pacote inovador de acordos financeiros elaborados para estreitar a ligação entre a segunda e a terceira maiores economias do globo, em uma iniciativa que pode elevar o status do yuan (moeda chinesa) para o de uma divisa internacional e solucionar as dificuldades que as empresas com sede no Japão tinham para seus negócios na China.

As diretrizes visam ainda reduzir o uso do dólar americano nas trocas cambiais entre os dois países. Os acordos incluem um plano para que uma entidade ligada ao governo japonês venda bônus denominados em yuans na China, o que representa um impulso para os esforços de Pequim de aprofundamento do mercado doméstico de capitais.

Outras medidas foram elaboradas para facilitar que as companhias convertam as moedas japonesas e chinesas diretamente, sem que seja necessário cumprir a etapa intermediária de conversão para o dólar, o que é a prática habitual. Cerca de 60% das trocas cambiais entre Japão e China são liquidadas financeiramente em dólar americano.

A mudança ocorre em um momento em que a China tem manifestado ambições de conquistar um papel maior de sua moeda nos mercados globais, especialmente diante das crescentes dúvidas dos investidores sobre o frágil euro e frente às preocupações sobre o constante enfraquecimento do dólar.

No entanto, é pouco provável que os acordos tenham efeito imediato significativo e, por ora, podem ser apenas simbólicos. Os governos não anunciaram um prazo para a implementação dos itens previstos no acordo. E, enquanto a China mantiver controles restritos sobre a conversibilidade de sua moeda e em relação aos investimentos em sua economia, há limitações para que o uso do yuan cresça internacionalmente.

Ainda assim, os acordos são extremamente importantes, diante das recentes tensões entre a China e o Japão, que incluíram um prolongado embate diplomático há apenas um ano sobre uma disputa territorial, além de ácidos comentários de Noda e de seus assessores sobre as preocupações com a ameaça militar da China. As iniciativas sugerem que os dois líderes podem agora estar vendo a necessidade de deixar as diferenças políticas de lado para se focarem no fortalecimento de suas economias.

Especialistas afirmam que a medida mais relevante foi a do programa piloto que permitirá que o Banco para Cooperação Internacional do Japão (JBIC, na sigla em inglês para Japan Bank for International Cooperation), possa emitir bônus denominados em yuans na China. Esse ponto é parte de uma iniciativa ampla para alavancar os bônus denominados em yuans e ienes (a moeda japonesa) globalmente. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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