China e México negam apoio ao Brasil na Rodada Doha

China, México e outros países emergentes negam apoio ao projeto do Brasil de conseguir maior proteção a certos setores industriais para o Mercosul. Hoje, na Organização Mundial do Comércio (OMC), Pequim surpreendeu diplomatas de vários países emergentes ao criticar a proposta do Brasil. Nos últimos meses, Brasília vem adotando uma série de medidas para apoiar os pedidos da China nas negociações da OMC. Mas o Itamaraty não conseguiu que o apoio fosse recíproco.Os países ricos insistem que a Rodada Doha somente poderá ser concluída quando as economias emergentes aceitarem abrir seus mercados para os produtos industriais. O Itamaraty, porém, sugeriu na OMC há uma semana que uniões aduaneiras de países em desenvolvimento, como o Mercosul, fossem autorizadas a ter um volume maior de setores protegidos. Na avaliação do governo, a Rodada não pode colocar em situação difícil os setores que ainda precisam de algumas proteções, como industriais e químicos.Mas a proposta brasileira não conseguiu um apoio necessário hoje, durante uma reunião da OMC dedicada a tartar do assunto. "Está tarde demais para novas propostas", alertou a China, interessada em manter abertos os mercados dos grandes países em desenvolvimento para suas exportações de bens industriais.A decisão da China ocorre poucas semanas depois que o Brasil mostrou certa inclinação a aceitar o pedido de Pequim para que as tarifas de importação do país fossem reduzidas apenas na próxima década. Os chineses alegam que, como ingressaram na OMC há apenas cinco anos, precisam de mais tempo para abrir seu mercado no setor agrícola. Ainda que todos os estudos apontem que a China será o maior mercado agrícola em 2015, o Brasil estava disposto a estudar uma flexibilidade para a queda de tarifas e, assim, tentar obter apoio político dos chineses para seus pedidos.O México também rejeitou a idéia do Brasil, alegando que não poderia, nesse momento da negociação, dar maior flexibilidade ao Brasil. Países sul-americanos como Colômbia e Peru também são contra. Na semana passada, o chanceler Celso Amorim viajou até Genebra para deixar claro ao diretor da OMC, Pascal Lamy, que o Brasil não aceitaria a conclusão da Rodada sem que essas concessões fossem feitas ao País.

JAMIL CHADE, Agencia Estado

07 de novembro de 2007 | 16h54

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