Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

China eleva compulsório bancário pela 6ª vez

Medida é mais uma tentativa do governo de conter o crédito e o crescimento econômico

Agências internacionais, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2031 | 00h00

Pequim - Pela sexta vez este ano, o Banco Popular da China (o banco central) anunciou ontem a decisão de elevar o depósito compulsório dos bancos comerciais, de 11,5% para 12%, a partir de 15 de agosto. A medida é mais uma tentativa do governo chinês de conter o acelerado crescimento econômico por meio do controle do excesso de liquidez e do crédito, segundo informou o BC chinês, em comunicado.O anúncio não chegou a surpreender os analistas econômicos, em razão dos dados referentes ao primeiro semestre do ano, que mostraram que a economia chinesa continua superaquecida. No último quadrimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês apresentou expansão de 11,9%, a maior taxa em 12 anos, apesar dos recentes esforços para diminuir o ritmo de crescimento. Neste ano, a taxa básica de juros do país já foi elevada em três ocasiões pelo BC, a última no dia 20 de julho. "De qualquer modo, o aumento de 0,50 ponto no compulsório não é suficiente", disse um economista da Universidade de Pequim à agência Xinghua Song Guoqing. "As reservas de divisas da China subiram US$ 30 bilhões em um mês, enquanto os créditos dos bancos comerciais totalizaram US$ 3,2 trilhões no fim de junho, o que significa que 0,50 ponto só pode absorver US$ 16,234 bilhões." Segundo o comunicado, o governo chinês quer manter o elevado crescimento econômico para reduzir a pobreza, mas teme que os altos investimentos no setor imobiliário e outras indústrias pressionem ainda mais a inflação e levem a uma crise de inadimplência. PAULSON PRESSIONAO secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, afirmou ontem que a China deve permitir que as forças do mercado tenham maior influência no valor da moeda local, o yuan, mas ressaltou que reformas estruturais adicionais serão necessárias para reduzir a contribuição chinesa aos enormes desequilíbrios do comércio global."A moeda chinesa é um símbolo das reformas econômicas", disse Paulson, em sua quarta viagem à China desde que tomou posse no cargo, no ano passado. "Mas não se esqueçam que, ainda que a moeda fosse negociada exatamente onde deveria, de acordo com os fundamentos econômicos, ainda haveria grandes desequilíbrios."Paulson afirmou que, enquanto os consumidores chineses continuarem a poupar cerca de metade de sua renda e os americanos não pouparem praticamente nada, os desequilíbrios comerciais vão continuar. Segundo ele, a China deve fazer reformas em seu sistema de serviços financeiros e em outros setores para ajudar a diminuir as diferenças comerciais. O secretário do Tesouro reiterou que Pequim deve reformar o yuan para ajudar a desenvolver o sistema bancário, o que contribuiria para o desenvolvimento econômico. Apesar de afirmar que gostaria de ver o país permitir a valorização mais rápida do yuan, Paulson reconheceu que a moeda apresentou ganhos contra o dólar neste ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.