China eleva compulsório para conter onda de empréstimos

O Banco Popular, o Banco Central da China, aumentou de 6% para 7% a taxa porcentual de depósito compulsório recolhido pelos bancos comerciais para conter o crescimento da carteira de empréstimos dessas instituições, após constatar que os fluxos maciços de entradas de dólares no país sobreaqueceram a concessão de financiamentos. A decisão foi anunciada no fim de semana e entra em vigor no dia 21 de setembro.Explicando as preocupações sobre aumento de empréstimos e pressões inflacionárias, o Banco Popular da China informou que os bancos emprestaram 1,887 trilhão de iuans (US$ 227 bilhões) nos primeiros sete meses desse ano, superando o 1,85 trilhão de iuans concedidos ao longo de todo o ano de 2002. Segundo o BC chinês, a liquidez excessiva do mercado tem sido impulsionada, parcialmente, por estrangeiros que acreditam que o país deverá permitir a valorização do iuan. O secretário do Tesouro dos EUA, John Snow; o presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, assim como autoridades financeiras do Japão e da União Européia já fizeram pedidos públicos para que a China permita a valorização do iuan. Na medida que o dinheiro tem entrado no mercado chinês, as empresas trocam dólares por iuans nos bancos, ampliando os depósitos e a capacidade de empréstimos. "O capital de curto prazo tem sido atraído para a China por comentários de que nós vamos abrir caminho para a valorização do iuan", comentou o BC. "Essa tendência, provavelmente, continuará por algum templo", completou o comunicado.A decisão de mexer no compulsório para enxugar a liquidez teve uma resposta negativa no mercado acionário chinês hoje, com os investidores interpretando que a medida sinaliza que o compromisso do governo de adotar estratégias de estímulo ao crescimento está ficando mais frouxa. O índice Xangai Composto caiu 1,2%, fechando no menor nível desde 14 de janeiro. O índice empresarial H - de empresas ligadas à China continental - despencou 4,7%, em Hong Kong. Segundo analistas, o aumento do compulsório terá impacto limitado, pois tirará da economia apenas 150 bilhões de iuans em uma economia que tem algo em torno de 20 trilhões de iuans em depósitos nas reservas. A medida, no entanto, foi interpretada como um sinal de preocupação do governo com o aquecimento de setores como o imobiliário.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.