China eleva taxa para liberar minério estocado em portos

Taxas de armazenagem do minério de ferro vão mais do que duplicar a partir de 1º de junho

HÉLIO BARBOZA, Agencia Estado

23 de maio de 2008 | 09h52

A China elevará fortemente as taxas de armazenagem para o minério de ferro estocado nos portos, o que deve reduzir os preços da commodity no mercado à vista nas próximas semanas. Com isso, as siderúrgicas chinesas devem se fortalecer nas negociações com as mineradoras australianas BHP Billiton e Rio Tinto, sobre os preços de contrato da commodity em 2008.De acordo com documentos a que teve acesso a agência Dow Jones, as taxas de armazenagem do minério de ferro vão mais do que duplicar a partir de 1º de junho nos principais portos chineses, incluindo o de Tianjin. Neste porto, as taxas vão subir para 0,4 yuan ao dia por tonelada para o minério estocado por mais de 90 dias, 0,2 yuan ao dia para o minério estocado de 60 a 90 dias e 0,1 yuan ao dia para o minério armazenado no porto de 30 a 60 dias. O minério armazenado por menos de 30 dias continua isento de taxa.Antes de elevar as taxas, o governo chinês havia pedido por várias semanas que os importadores liberassem os estoques. Enquanto isso, o volume de minério armazenado nas instalações portuárias atingia níveis recordes, em meio às importações especulativas realizadas por operadores que esperavam lucrar com uma iminente alta nos preços de contrato.O minério de ferro armazenado nos principais portos chineses ultrapassava 79 milhões de toneladas em 15 de maio, e vários portos informavam ter esgotado a capacidade de estocagem ou estar perto disso. O volume representa um aumento de 50% em relação ao do início do ano. Pelo menos um terço desse estoque é mantido por especuladores, que não têm outro lugar para armazenar o produto. Segundo os analistas, eles serão obrigado a vender o minério, o que reduzirá o preço no mercado à vista e aliviará o congestionamento nos portos.   As importações de minério de ferro da China aumentaram 15% entre janeiro e abril, para 153,49 milhões de toneladas, o que é "muito mais do que a demanda das siderúrgicas", segundo a associação. Para combater a especulação, a entidade havia ameaçado suspender ou revogar as licenças de importação dos membros que intencionalmente estocam minério nos portos.Na semana passada, a Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional, principal órgão de planejamento econômico do país, reuniu-se com setores do governo, siderúrgicas e empresas de comercialização para discutir formas de liberar os estoques armazenados nos portos.       As informações são da Dow Jones.

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