China encerra julgamento de executivos da Rio Tinto

Promotoria alegou que o executivo australiano Stern Hu recebeu US$ 11,25 milhões em suborno e roubou segredos comerciais

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

24 de março de 2010 | 13h59

O julgamento dos quatro funcionários da mineradora anglo-australiana Rio Tinto, relacionado à acusação de roubo de segredos comerciais, foi encerrado nesta quarta-feira, 24, em Xangai, na China, sem uma palavra sobre a sentença, segundo advogados dos acusados.

 

No julgamento de dois dias e meio dos quatro funcionários da Rio Tinto, entre eles o executivo australiano Stern Hu, a promotoria alegou que Hu recebeu individualmente US$ 11,25 milhões em suborno e roubou segredos comerciais.

 

O julgamento foi encerrado por volta do meio dia (horário local) sem qualquer informação sobre quando os juízes deverão anunciar o veredicto, afirmaram os advogados dos réus, que acreditam que a divulgação da sentença pode demorar dias ou até um ano. Pelo menos três dos acusados, que faziam parte da equipe de vendas da Rio Tinto, admitiram, inesperadamente, no primeiro dia do julgamento, que aceitaram subornos em dinheiro. Eles contestaram, porém, em depoimento posterior, algumas acusações da promotoria, tais como os valores das propinas, revelaram os advogados.

 

Os veredictos de culpa poderão resultar em penas de prisão para os acusados, que estão detidos pelas autoridades chinesas desde julho do ano passado.

 

A transparência no processo judicial da China é limitada e pouco se sabe sobre as acusações dos segredos industriais, que foram consideradas na segunda metade do julgamento, inteiramente a portas fechadas. Pelo menos dois dos réus negaram a culpa sobre este aspecto do caso, afirmaram seus advogados sem fornecer detalhes.

 

No final da noite, em Camberra, o Departamento de Comércio e de Relações Exteriores da Austrália divulgou um comunicado reafirmando que Hu fez "algumas confissões" de que aceitou dois subornos totalizando cerca de US$ 935 mil. O governo disse que espera ter representantes no tribunal quando o veredicto for lido e "vai fazer uma declaração na conclusão dos processos do julgamento".

 

Os quatro executivos da Rio Tinto foram presos pelas autoridades chinesas, inicialmente sob acusações de espionagem, em meio a um momento tenso nas relações entre a mineradora, as principais siderúrgicas que compram seu minério de ferro e a Aluminum Corp. of China (Chinalco), maior acionista individual da companhia. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
Rio TintoChinaprocesso

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.