China enfrenta maior onda de calor dos últimos 140 anos

Clima já abala economia, derruba produção de chá e repórter de TV mostra como fritar bife só com grelha

Economia & Negócios,

31 de julho de 2013 | 14h07

PEQUIM - A China está enfrentando a maior onda de calor dos últimos 140 anos, com sérios problemas para a população e consequências para a economia. O calor é tanto que a TV mostrou uma fatia de carne de porco cozinhada sem necessidade de fogão. A carne ficou pronta em 20 minutos exposta em uma varanda ensolarada.

O repórter local colocou os alimentos em uma grade de metal no piso de concreto de uma sacada do quarto andar de um prédio em Xangai. A reportagem provocou uma onda de publicação de imagens semelhantes de chineses fritando alimentos nas ruas e derretendo manteiga, velas e outros produtos ao sol.

No site de microblogs Sina Weibo, diretor de teatro Wang Chaoge postou uma imagem alterada de obra-prima de Leonardo da Vinci "Mona Lisa", em que seus cabelos longos e escuros são substituídos por um corte pixie.

"É muito quente", dizia a legenda.

 

Mais de 40 cidades na China então enfrentando a onda de calor, com máximas que acima de 40 graus Celsius desde de terça-feira. A Administração Meteorológica da China emitiu alerta vermelho, o mais alto até hoje, para nove províncias e municípios no leste e do centro da China.

Piadas. Mais de 14 milhões de mensagens no site Sina Weibo estavam relacionados com o calor nesta partir de quarta-feira, informou a agência estatal Xinhua. Entre as mensagens, mais 100 eram piadas, especialmente de pessoas que estão fritando carnes e peixes em grelhas ao sol.

"A única diferença entre mim e grelhados de carne é um pouco tempero", um internauta escreveu. Ruth Baru, um correspondente de mídia do Quênia, disse que o calor em Pequim faz lembrar de sua cidade natal, Nairobi.

Os internautas tentam descontrair com piadas e imagens engraçadas, mas seus esforços têm feito pouco para realmente vencer o calor, comentou o jornalista da Xinhua.O calor já teria provocado dez mortes em Xangai, segundo a agência de notícias.

Na província de Zhejiang, cidades como Jinhua e Wenzhou abriram abrigos antiaéreos para os moradores, e muitas pessoas lotam bibliotecas com ar-condicionado e estações de metrô para fugir do calor.

Impacto econômico. O calor também está afetando a economia. As vendas de aparelhos de ar condicionado, ventiladores e geladeiras aumentaram, segundo um analista do UBS Securities.

Em Shanghai, obras de construção e reforma na área de saúde e educação foram desaceleradas para evitar que os trabalhadores sejam afetados por insolação.

Produção de chá. Em Hangzhou, capital de Zhejiang, a seca e o calor prejudicaram as plantações de chá verde. Os especialistas estão prevendo uma redução da produção e aumento do preço do produto consumido em larga escala no país.

Um relatório sobre o mercado de turismo estima que o calor extremo deste ano pode ajudar a desenvolver o mercado de veraneio da China.

As áreas montanhosas e de floresta, a maioria nas regiões sudoeste, noroeste e nordeste do país, poderiam transformar-se em destinos turísticos preferidos para os turistas que procuram escapar do forte calor.

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