China entra com queixa na OMC contra sobretaxa ao aço

Três meses após ser admitida na Organização Mundial do Comércio, a China solicitou ao órgão uma discussão sobre a decisão dos Estados Unidos de impor sobretaxas às importações de aço, na primeira queixa que o governo chinês apresenta à OMC.O primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, fez duras críticas às tarifas em entrevista à imprensa em Pequim após o encerramento da assembléia anual do governo. "Será que os EUA aceitariam se nós quiséssemos aumentar as tarifas de importação sobre a semente de soja em 30%?", perguntou. A China representa o maior mercado para a semente de soja dos EUA, tendo adquirido o equivalente a US$ 1 bilhão da safra de soja norte-americana no ano passado. "Estou preocupado com nossas siderúrgicas, da mesma forma que os líderes norte-americanos estão preocupados com seus agricultores", disse Rongji. As siderúrgicas da China estão entre as mais afetadas pelas sobretaxas de até 30% impostas pelos EUA, que atingem também as produtoras de aço do Brasil, Japão, Coréia do Sul, Ucrânia e Rússia, entre outras. O Ministério de Comércio Exterior da China pede, em comunicado à OMC, que Washington "estabeleça o lugar e a data das discussões o mais rapidamente possível" e se declarou "profundamente chocado" pelas tarifas.A nota apresenta termos duros para classificar as medidas norte-americanas contra o aço importado. "Essa decisão não apenas fere as normas da OMC, como também terá sério impacto sobre as exportações normais de aço da China para os EUA, o que provocará grandes prejuízos para as siderúrgicas", disse o ministério.Em fevereiro, a Comissão de Comércio Econômico da China afirmou que as siderúrgicas do país terão uma redução dos lucros por causa das importações mais baratas este ano, o que diminuirá os preços locais do aço em cerca de 200 yuan (US$ 24,16) por tolelada em relação a 2001. O Japão também anunciou hoje que se prepara para apresentar sua reclamação à OMC na próxima quarta-feira, quando as tarifas entrarem em vigor.

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