China erguerá prédio de 202 andares em apenas quatro meses

Edifício Cidade do Céu será o mais alto do mundo, com dez metros a mais que o Burj Khalifa, de Dubai

The New York Times,

28 de agosto de 2013 | 10h10

CHANGSHA, CHINA - A economia chinesa está desacelerando, mas os prédios vão continuar cada vez mais altos. O país já tem 60 dos 100 edifícios mais altos do mundo em construção.

Na cidade de Changsha, capital da província de Hunan, uma construtora promete erguer o edifício mais alto do mundo em tempo recorde.

O edifício 'Cidade do Céu', com 202 andares, deverá estar pronto em apenas quatro meses, erguido com módulos de aço e concreto. As escavações da fundação começaram esta semana.

A construtora Broad, com sede em Changsha, é a mesma que ergueu recentemente um prédio de 30 andares em apenas duas semanas.

 

Menos trânsito. "O Cidade do Céu é projetado para reduzir a dependência da cidade em estradas e veículos e, assim, reduzir os engarrafamentos", disse Zhang, um ex-artista de 53 anos de idade dono da construtora criada em 1988 com apenas US$ 3 mil.

A altura do prédio e a velocidade do projeto desencadearam um debate nacional nos últimos dias e os líderes municipais e construtores  estão sendo alvos de críticas pela sua mania de querer alcançar os céus.

"A vaidade de alguns funcionários do governo local está mudando radicalmente a paisagem urbana das cidades ", afirma um editorial no jornal Diário do Povo, porta-voz do Partido Comunista.

Na terça-feira, o magnata responsável pelo projeto do edifício Cidade do Céu disse em uma entrevista que ele pediu uma pausa na obra enquanto aguarda novas aprovações dos órgãos reguladores em Pequim.

"O governo ficou mais cauteloso por causa de todo o debate na mídia e na internet e o processo de construção foi abrandado", disse Zhang Yue, presidente do Grupo Broad.

Mas ele prometeu terminar o prédio, apesar de um atraso não superior a dois ou três meses. Com isso, o prédio poeria ficar pronto em junho ou julho do próximo ano, em vez do plano original de terminá-lo em abril.

Fundações. Trabalhadores já cavaram um grande buraco no solo para as fundações. Uma estrada de quatro pistas foi aberta para transportar os grandes equipamentos de movimentação de terra.

"Não importa o tamanho dos obstáculos, pois vamos superá-los com certeza para garantir que este projeto seja concluído", disse Zhang.

Ele se recusou a identificar quem, em Pequim adiou seu projeto, mas disse que não tinha sido convidado a fazer quaisquer ajustes no plano original.

O projeto artístico do edifício Cidade do Céu mostra uma pilha de retângulos formando um cone parecido com um grande bolo de casamento. O prédio lembra o Willis Tower, em Chicago, com 110 andares.

Com mais esse arranha-céu chinês, a Torre Sears, que era o edifício mais alto do mundo até 1998, agora está sendo deixada à sombra por numerosos rivais.

Pequim, Xangai, Shenzhen, Guangzhou e Chongqing estão agora terminando um prédio em cada cidade com altura superior à Torre Willis.

Dinheiro público. Autoridades locais juntamente com empresas estatais e bancos estatais estão por trás da maioria desses projetos, aumentando os temores de que os contribuintes podem, eventualmente, arcar com os custos de projetos que possam se tornar antieconômicos.

"Se você deixar o mercado decidir, eu não acho que muitos destes edifícios altos seriam construídos", afirma Chau Kwong Asa, professor engenharia na universidade de Hong Kong.

O Cidade do Céu é o projeto mais ambicioso de todos, e por isso tornou-se o para raios para a crítica da tendência.

A mídia chinesa mostra-se abertamente cética em relação ao projeto, questionando a sua segurança e velocidade de construção.

Mas as obras continuam, com tratores preparando o terreno e sondas perfurando o solo para as estruturas e sistema de drenagem.

Burj Khalifa. Se for construído conforme o planejado, o prédio teria apenas 10 metros a mais que os 828 metros do edifício Burj Khalifa, em Dubai, o edifício mais alto do mundo desde 2010.

O Cidade do Céu terá 39 andares a mais que o Burj Khalifa, e teria apenas apartamentos, sem necessidade de espaços ocos sob o piso como escritórios exigem para a fiação e refrigeração, e em parte porque a ventilação eixos, fiação elétrica e pisos interiores serão embalados em módulos enquanto eles ainda estão na fábrica.

Os últimos 15 andares que incluem escritórios, uma escola com jardim de infância e escola de primeiro grau e hospital. Um hotel com restaurante e café ocuparia o topo do prédio.

A ênfase em apartamentos reflete o boom imobiliário na China - que alguns especialistas insistem em chamar de bolha. O governo tem insistido com os bancos estatais para ampliar empréstimos ao setor nos últimos meses, em resposta a sinais de fraco econômico crescimento.

Franquias. O construtor do Cidade do Céu fez fortuna vendendo equipamentos de ar condicionado com mais eficiência energética. Há quatro anos, ele entrou para o mercado de construção. Hoje ele tem seis fábricas de módulos para edifícios, cada uma do tamanho de cinco campos de futebol.

As fábricas produzem módulos de 13 metros por 51 metros de altura para a montagem de arranha-céus. Zhang está tentando vender franquias para a construção de fábricas de módulos para empresas de construção e siderúrgicas em todo o mundo.

O Diário do Povo, em sua crítica ao projeto, lembrou que o Empire State Building, em Nova York, concluído em 1931, levou cerca de duas décadas para ser ocupado e tornar-se um sucesso comercial - e foi inicialmente apelidado de "Empty State Building", com a palavra 'vazio' no lugar de 'império'.

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