China está certa ao impedir valorização do yuan, diz presidente do PT

Segundo Rui Falcão, país mantém patamar da moeda para viabilizar as exportações e dar prosseguimento a desenvolvimento dentro da crise

Claudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

21 de setembro de 2011 | 16h57

A China está certa ao recusar a pressão internacional pela apreciação de sua moeda, afirmou nesta quarta-feira, 21, em Pequim o presidente do PT, Rui Falcão. "Eles estão mantendo o patamar do yuan para viabilizar as exportações e dar prosseguimento a seu desenvolvimento autônomo dentro da crise que vivemos", declarou.

A indústria brasileira sustenta que a moeda chinesa é mantida em patamar artificialmente depreciado em relação ao dólar, o que daria ao país asiático uma vantagem desleal nas exportações para o Brasil e terceiros mercados.

Em Pequim para participar de seminário teórico entre o PT e o Partido Comunista da China, Falcão ressaltou que o Brasil tem adotado medidas para proteger a indústria, entre as quais citou o aumento do IPI para carros que não tenham conteúdo de 65% de peças nacionais.

O presidente do PT sustentou que a China vai "acolher perfeitamente" a decisão e manter seus projetos de investimentos na fabricação de automóveis no Brasil. Sua previsão se aplica inclusive à JAC, cuja planta teria se tornado "inviável" com as medidas, segundo o presidente da empresa no Brasil, Sergio Habib.

Apesar dos conflitos comerciais, Falcão ressaltou que as economias dos dois países têm muita complementariedade e que o Brasil poderá se beneficiar do fortalecimento do mercado interno da China. "Isso cria para o Brasil uma continuidade das exportações ao largo da crise que estamos vivendo hoje. As duas economias serão complementares por muito tempo."

Falcão disse esperar que as medidas de proteção ao setor automobilístico sejam "temporárias" e lembrou que elas foram adotadas em razão da previsão de que o Brasil importaria 1 milhão de carros até o fim de 2011. Se confirmado, o número significaria a "queima" de 40 mil empregos, ressaltou. "Quase uma Fiat."

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