China evita compromisso com EUA sobre yuan

País promete estimular a demanda doméstica e deixa em aberto uma reforma da taxa de câmbio 

Economia & Negócios,

24 de maio de 2010 | 07h09

China adotou um tom conciliatório na abertura das conversações com os Estados Unidos nesta segunda-feira ao prometer estimular a demanda doméstica e deixar em aberto uma reforma da taxa de câmbio, que a administração Obama diz ser necessária para reequilibrar a economia global.

Os EUA trataram a questão suavemente e saudaram o compromisso de longo prazo de Pequim para a reforma do yuan com os dois lados realizando o segundo Diálogo Estratégico e Econômico.

A China tem mantido sua moeda essencialmente atrelada ao dólar desde meados de 2008, uma política que as autoridades chinesas qualificaram como uma medida temporária para responder à crise financeira global. Mas essa política tem sido objeto de críticas crescentes dos principais mercados para as exportações da China - os EUA e a União Europeia -, bem como dos países em desenvolvimento que competem com as exportações do país. As autoridades chinesas disseram que sua política monetária mudará, eventualmente, quando as condições econômicas no ambiente doméstico e global o permitirem.

O único ponto de ligeira discórdia foram os pedidos dos EUA para uma linha mais dura contra a Coréia do Norte em relação a um suposto naufrágio de um navio de guerra sul-coreano, contra apelos de contenção da China.

A primeira e a terceira maiores economias do mundo estão procurando estabilizar relações após um aumento das tensões no início do ano. Ao mesmo tempo em que o presidente chinês, Hu Jintao, não trouxe novidades na disputa sobre o câmbio que tem dividido os dois países, pôs um tom amigável para os dois dias de conversações.

Segundo o Wall Street Journal, Hu disse esperar que o Diálogo Econômico estratégico entre China e Estados Unidos, iniciado nesta segunda-feira, ajudará a "construir uma base de confiança mútua" entre os dois países ligados pelo comércio e grandes responsabilidades no cenário mundial, apesar de muitas vezes estarem em desacordo. O presidente disse até o final do seu discurso que "a China continuará firmemente a avançar na reforma do mecanismo de formação da taxa de câmbio do yuan de uma maneira controlada, gradual e auto iniciada".

Hu disse que seu governo quer expandir a demanda doméstica para criar um crescimento mais equilibrado, algo que Washington - preocupado com o seu enorme déficit comercial com a China - também tem defendido.

No encontro, o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, apelou a Pequim para ambos os países trabalharem juntos para redução de barreiras comerciais e desenvolvimento de uma economia global mais equilibrada.

Em relação ao yuan, que foi efetivamente atrelado ao dólar desde que a crise financeira global se agravou em meados de 2008, Geithner disse que o governo chinês está caminhando na direção certa.

"Nós saudamos o fato de os líderes chineses reconheceram que a reforma da taxa de câmbio é uma parte importante da sua agenda de reforma mais ampla", disse.

Tentando pressionar o caso de que a valorização do yuan seria do interesse da própria China, Geithner disse que uma taxa de câmbio mais orientada para o mercado ajudaria a suprimir a inflação, embora também faria empresas privadas elevarem a cadeia de valor.

(Com Reuters e Agência Estado)

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