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China facilita entrada de capital privado

Autorização para que estrangeiras comprem parte das ações de estatais tem por objetivo evitar que governo tenha de socorrer empresas

Agências internacionais, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2013 | 02h06

XANGAI - A China permitirá que investidores privados comprem até 15% de participação em empresas estatais, publicou o diário oficial do país, numa estratégia em que Pequim tentará usar recursos privados para evitar ter de resgatar companhias controladas pelo Estado.

Líderes chineses estão reunidos em Pequim esta semana para estabelecer um plano para os próximos dez anos. A entidade encarregada pela administração de mais de cem das maiores estatais do país, a Sasac (na sigla em inglês), tem afirmado que a reforma das companhias controladas pelo Estado é um importante foco do governo.

O diário oficial citou Bai Yingzi, diretor da divisão de reforma de empresas da Sasac, que afirmou que investidores privados poderão criar consórcios próprios de investimento para comprar participações diretas nas estatais equivalentes entre 10% e 15% dos ativos. Ele não deu mais detalhes.

Atualmente, os investidores privados podem comprar ações de grandes empresas estatais listadas em bolsas locais, mas as entidades controladas pelo Estado normalmente mantêm uma participação de controle.

O diário citou como exemplo uma joint venture entre o conglomerado privado Fosun Group e a estatal China National Medicine criada em 2003.

Nessa joint venture, a Fosun detém 49%, numa "rara exceção", segundo o diário. Em junho, a agência oficial de notícias Xinhua publicou que empresas de serviços públicos seriam abertas ao investimento privado.

No mês passado, um importante centro de análise, o Centro de Pesquisa de Desenvolvimento do Conselho de Estado, recomendou o fim de monopólios controlados pelo governo nos setores de ferrovia, óleo e gás e eletricidade.

Crédito. A criação de crédito novo na China apresentou forte desaceleração no mês passado, dando sinais de que o banco central chinês, conhecido como PBoC, adotou uma ligeira postura de aperto numa tentativa de manter os empréstimos e a inflação sob controle.

Em outubro, os bancos chineses fizeram empréstimos líquidos de 506,1 bilhões de yuans (cerca de US$ 83 bilhões) em moeda local, ante 787 bilhões de yuans em setembro. O valor é o menor registrado neste ano.

O financiamento social total, uma medida mais ampla de criação de crédito que inclui emissões de bônus e outras formas de empréstimos, caiu para 865,4 bilhões de yuans em outubro, de 1,4 trilhão de yuans no mês anterior.

Indicadores. A economia da China se acelerou no terceiro trimestre, com alta de 7,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em comparação a igual período do ano passado, mas alguns analistas temem que a expansão tenha sido alimentada por uma rápida elevação de dívida que pode comprometer o sistema financeiro.

O dado de outubro sugere o início de uma virada.

Além da estabilidade financeira, a alta da inflação fornece outro motivo para a diminuição da liquidez. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do país teve alta anual de 3,2% em outubro, a maior desde fevereiro.

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