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China faz bolsa ter maior alta do mês

A possibilidade de a China lançar um pacote para estimular a economia fez o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) registrar ontem a maior alta porcentual desde o dia 30 de julho. O indicador avançou 3,24%, ancorado principalmente no desempenho das ações da Petrobrás e da Vale. No acumulado do ano e de agosto, porém, o Ibovespa amarga perdas de 13,32% e 6,94%, respectivamente. O vice-primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, declarou ontem, segundo a agência estatal Nova China, que o governo estuda medidas para elevar o consumo doméstico. O objetivo é se contrapor à esperada desaceleração das exportações, em decorrência da fraqueza das economias dos Estados Unidos, da Europa e do Japão. A informação deu fôlego às commodities internacionais, que nas últimas semanas tiveram expressivas quedas justamente por causa das perspectivas negativas para a economia global. O petróleo, por exemplo, fechou em alta de 0,39% na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês).Junto com as commodities, subiram os papéis de empresas do setor. As ações ordinárias (ON) da Petrobrás avançaram 5,64% e as preferenciais (PN), 4,62%. Os papéis PNA da Vale dispararam 7,08% e os ON, 5,93%. Analistas alertam, no entanto, que o movimento pode não ser duradouro. "O volume negociado ainda está baixo e não temos visto a volta de investidores estrangeiros", observou o assessor de investimentos do Banco Fator, Rogelio Gonzalez. Ivan Guetta, gestor de renda variável da GAP Asset Management, também não está convencido de que a tendência para a bolsa brasileira mudou. Mas avalia que, ao menos no curto prazo, a perspectiva é positiva. "Além dessa questão da China, houve, nos últimos dias, mudanças em alguns mercados de commodities", disse. Uma delas está relacionada ao níquel, que teve a produção reduzida por algumas empresas do setor. Guetta também lembra que o governo da Venezuela informou, no início da semana, que vai sugerir a seus sócios na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) um corte na produção. A notícia sobre a China surpreendeu muitos analistas, entre eles o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa. Afinal, o país cresceu, em média, mais de 10% nos últimos anos. "O setor externo responde por apenas 6% do PIB (Produto Interno Bruto) chinês, ante 51% dos gastos da família e do governo e 43% dos investimentos."Se não bastasse isso, Rosa lembra que a inflação na China, embora tenha desacelerado, continua alta, na casa de 6% ao ano. "Antes de mais nada, temos de ver se esse pacote vai sair. Se sim, será a hora de ver do que se trata e se alcançará seu objetivo, que é minimizar o impacto negativo da desaceleração global." Até lá, dizem os analistas, reinará a especulação.

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2008 | 00h00

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