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China investe US$ 130 bi no setor imobiliário somente no semestre

A forte procura por imóveis continua impulsionando os preços e garantindo a liquidez do segmento mais dinâmico da economia chinesa

Paulo Vicentini, da Agência Estado,

21 de julho de 2007 | 14h09

Os investimentos no setor imobiliário da China cresceram 28,5% entre janeiro e junho deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, para US$ 130,6 bilhões. "Os departamentos responsáveis ampliaram a oferta de terrenos na esperança de controlarem a alta dos preços dos imóveis, provocando uma inevitável atração de investimentos para o segmento", declarou Qin Hongyu, analista do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês).   Segundo os analistas do NBS, a forte procura por imóveis continua impulsionando os preços e garantindo a liquidez do segmento mais dinâmico da economia chinesa. "As linhas de financiamento concedidas pelos bancos às empreendedoras imobiliárias cresceram 25,9% entre janeiro e junho deste ano no comparativo anual", anunciou o órgão. Durante o intervalo, o segmento absorveu 68,7% a mais em investimentos estrangeiros frente ao mesmo período do ano passado, para um total ainda não divulgado, ao mesmo tempo em que as empreendedoras privadas afins aumentaram em 28,4% a sua oferta de créditos.   Pressões sobre a agricultura - A crescente procura por terras por parte dos empreendedores imobiliários, contudo, continua representando uma séria ameaça à produção agrícola e gerando fortes tensões sociais na China. De acordo com o novo ministro das Terras e Recursos Naturais do Estado, Xu Shaoschi, a ocupação ilegal de terras agricultáveis "ainda não está totalmente controlada".   "Descobrimos que os governos de algumas cidades e distritos consentiram tacitamente, toleraram ou manobraram às escondidas para garantirem a ocupação ilegal de terras destinadas à agricultura", afirmou Xu, ao anunciar que as autoridades centrais detectaram 20 mil casos de apropriação indébita dessas áreas nos primeiros cinco meses deste ano.   "Mais de mil pessoas foram punidas de acordo com a lei", garantiu o ministro, ao se referir indiretamente às abusivas desapropriações das terras usufruídas pelos camponeses por intermédio do regime de arrendamentos de longo prazo. "É preciso manter a estabilidade social nos campos", tornou a advogar nesta semana o Diário do Povo, em resposta ao crescente número de choques entre camponeses e autoridades regionais durante a disputa por estes preciosos recursos.   Por isso, o Partido Comunista da China (PCCh), às vésperas de seu 17º Congresso Nacional, destinado a conceder mais um mandato de cinco anos ao atual presidente chinês, Hu Jintao, divulgou que "a capacidade administrativa de cada qual para conter a agitação social" se tornará um dos critérios determinantes para a ascensão de seus quadros em sua hierarquia interna.   "Estamos diante de um grande desafio: estabilizar a superfície total de terras destinadas ao cultivo na faixa dos 150 milhões de hectares", destacou Xu, ao lembrar que a área per capita agricultável nacional corresponde a 40% da média mundial. Conforme as recentes projeções divulgadas pela Administração Nacional de Cereais, o processo de industrialização e de urbanização ocupou mais de oito milhões de hectares cultiváveis desde 1997 e poderá cobrar outros sete milhões de hectares nos próximos anos, caso mantenha o seu atual ritmo de expansão.   Em contrapartida, a procura doméstica chinesa por cereais deverá chegar a 530 milhões anualmente até 2010. Já o Ministério da Agricultura, de olho na segurança alimentar da nação mais populosa do planeta, promete elevar a safra nacional para a casa de 500 milhões de toneladas até o final do 11º Programa Qüinqüenal (2006 - 2010).

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