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China lança investigação sobre carne de frango do Brasil

Indústria do país reclama que carne brasileira é vendida abaixo do valor de mercado; a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) defende que o Brasil vende 'a preços absolutamente justos'

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2017 | 11h26

A China lançou nesta sexta-feira uma investigação antidumping sobre as importações de carne de frango do Brasil após reclamação da indústria doméstica de que o País está vendendo seu produto abaixo do valor de mercado.

O Brasil, maior exportador global do produto, respondeu por mais de 50% da oferta de produtos de carne de frango para a China, segundo consumidor global, entre 2013 e 2016, de acordo com uma análise preliminar, informou o Departamento do Comércio em comunicado.

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Segundo presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, o Brasil tem 20 dias para responder ao questionamento e mostrar que não exporta produto a preço inferior ao praticado no mercado interno. Após receber a resposta, os chineses podem ou não recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Turra, no entanto, acredita que esta questão deve ser resolvida de forma diplomática e rápida, sem causar prejuízos às exportações do Brasil para China - o terceiro maior destino do produto brasileiro. Foram 226,5 mil toneladas adquiridas no primeiro semestre deste ano. "Não acredito que a China venha a reduzir importações", afirmou o executivo.

"Conversei com o Abrão Árabe (secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) e fiz um apelo para que a conversa seja levada de forma diplomática", contou Turra. O governo brasileiro tem missão agendada para a China no início de setembro e o questionamento apresentado hoje deve entrar na agenda das discussões.

O representante da indústria brasileira de aves e suínas rebateu a possibilidade de qualquer prática de dumping. Afirmou que o Brasil é competitivo e vende "a preços absolutamente justos". Mas reconheceu que questionamentos como o chinês podem acontecer. "A BRF teve de mandar milhões de documentos para África do Sul e terminamos vencedores no processo", afirmou sobre o processo aberto pelo país sul-africano contra o Brasil na OMC.

Qualquer medida para penalizar as importações avaliadas em mais de US$ 1 bilhão por ano seria um grande golpe para a indústria brasileira de proteínas, abalada mais cedo neste ano pelas revelações da operação Carne Fraca, que apontou um esquema de propina envolvendo fiscais sanitários e indústrias.

O Brasil substituiu os Estados Unidos como maior fornecedor de frango depois que a China adotou tarifas antidumping sobre os produtos de frango dos EUA em 2010. A China é o maior consumidor de carnes do Brasil.

A medida vem em um momento em que a indústria da China se recupera do pior surto de gripe aviária do país em anos. O setor ainda lida com a queda da demanda. "Esta é uma boa notícia para o mercado doméstico de frango", disse um produtor de frango no norte da China, que se identificou com o sobrenome Tan.

"O mercado de frango não tem sido tão bom desde a segunda metade do ano passado. O Brasil está vendendo muito para a China a um preço baixo, enquanto a China possui ampla oferta."

As principais exportadoras de carne de frango do Brasil - a BRF, dona da Sadia e Perdigão, e a JBS, da marca Seara - foram procuradas pelo Broadcast Agro, mas não quiseram se pronunciar. Ambas empresas disseram que o assunto será tratado por meio da ABPA. /COM INFORMAÇÕES REUTERS

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