China manterá compra de títulos para apoiar Europa

Segundo primeiro-ministro chinês, país está pronto para apoiar recuperação da economia global

Agência Estado,

25 de junho de 2011 | 12h29

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, prometeu neste sábado, 25, que seu país vai continuar a comprar títulos denominados em euro para apoiar a Europa durante sua crise da dívida. Trata-se de mais uma declaração chinesa de apoio à região e a seus esforços para recuperar suas economias com problemas financeiros.

As declarações de Wen, que esteve em Budapeste para uma viagem de cinco dias pela Europa - ele ainda vai para Londres e Berlim - foram feitas enquanto líderes europeus discutem como continuar a apoiar a Grécia e impedir um default (calote) potencialmente desestabilizador para o país.

Os comentários destacam o fato de que muitos líderes europeus veem o apoio chinês como um importante incentivador para a confiança do mercado na questão da soberania financeira, bem como a possibilidade de a China diversificar mais suas enormes reservas em moeda estrangeira para ativos em euro.

"A China tem sido um pesado investidor no mercado de dívida soberana em euro", disse Wen em entrevista coletiva. "Temos comprado muitos euro bonds nos últimos anos e continuamos a apoiar a Europa e eu euro."

"A China está pronta para aproveitar a oportunidade - juntamente com seus parceiros europeus -, e enfrentar os desafios e direcionar o desenvolvimento para apoiar a recuperação mais rápida possível da economia global e do crescimento estável", disse ele.

Wen não disse quanto a China vai gastar em euro bonds, mas revelou que seu país vai apoiar a evolução da economia da Hungria ao comprar "certa quantidade de títulos húngaros" e que o Banco de Desenvolvimento da China fará um empréstimo de 1 bilhão de euros à Hungria

"O financiamento da Hungria está seguro agora, mas o atual acordo significa uma segurança maior, eliminando todas as preocupações relacionadas ao financiamento de médio prazo da Hungria", disse o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban. "Esta é uma ajuda histórica da China, que nos ajuda a tomar o caminho de desenvolvimento econômico que havíamos planejado."

As reservas em moeda estrangeira da China chegam a mais de US$ 3 trilhões - as maiores do mundo - o que tem feito com que o país seja visto como uma fonte de capital para corporações globais e líderes políticos.

Autoridades chinesas têm expressado forte apoio no último ano às medidas europeias para lidar com a crise da dívida e têm dito que a China aumentou a quantidade de bônus europeus para ajudar essas ações, embora não esteja claro quando a China investe nesses títulos.

Analistas acreditam que dois terços das reservas chinesas estejam investidas em ativos em dólar, principalmente dívida do Tesouro norte-americano. Nos últimos anos, autoridades chinesas têm afirmado com frequência que querem diversificar seus investimentos, mas há poucas classes de ativos que podem absorver investimentos de escala tão alta.

Na Hungria, Organ disse que a China vai dobrar seu volume de comércio com o país para US$ 20 bilhões até 2015. A China também vai estabelecer uma central de logística e transporte na Hungria, de acordo com as expectativas anteriores da Hungria de se tornar um centro europeu para logística e distribuição comercial para a China.

Os investimentos chineses devem criar alguns milhares de empregos, disse o ministro de Desenvolvimento húngaro Tamas Fellegi em comunicado. As informações são da Dow Jones.

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