China muda perfil de negócios no Brasil

Investimentos caíram e começam a migrar das commodities para outros setores

RENATA VERÍSSIMO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2012 | 02h08

Os anúncios de investimentos chineses no Brasil estão em queda, mas o perfil das aplicações melhorou, na avaliação do governo. Dados da Rede Nacional de Informações sobre o Investimento (Renai), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), mostram que desde 2011 entram mais recursos para investimentos novos (chamados de greenfield) do que para fusões e aquisições. Também houve uma mudança dos setores que mais recebem os recursos chineses. "Há um foco no mercado doméstico brasileiro. Estão apostando no dinamismo do consumo no Brasil", disse ao Estado o coordenador-geral de Investimentos da Renai, Eduardo Celino.

Os setores automotivo, de energia elétrica e de serviços financeiros registraram crescimento no volume de investimentos chineses recebidos em 2012. Até o início do ano passado, grande parte dos recursos no Brasil estava ligada a commodities, o que evidenciava a estratégia de garantir o fornecimento de matérias-primas. A maior parte das operações era em forma de fusões ou aquisições em setores ligados à extração e à produção de petróleo, gás e mineração.

De janeiro a setembro deste ano, o anúncio de investimentos chineses considerados greenfield somou US$ 4,43 bilhões e os de aquisições, US$ 1,34 bilhão. Em 2011, foram US$ 8,33 bilhões e US$ 6,96 bilhões, respectivamente. Por outro lado, em 2010, a maior parte dos anúncios era de fusões e aquisições, que somaram US$ 13,3 bilhões. Os investimentos que partiam do zero totalizaram US$ 3,76 bilhões.

Celino diz que os números ainda são preliminares e, embora sinalizem que devem ficar abaixo de 2011, podem mudar até o final de dezembro. Segundo ele, anúncios recentes de investimentos chineses na Zona Franca de Manaus, na área de eletroeletrônicos e motocicletas, ainda não foram incluídos nos dados da Renai. Além disso, ressalta que basta ter o anúncio de apenas um projeto com recursos vultosos para que o volume de investimentos supere o ano passado.

O crescimento mais consistente dos investimentos chineses no Brasil teve início em 2009, quando somaram quase US$ 5 bilhões, mas foi em 2010 que tiveram um boom e alcançaram US$ 17,05 bilhões.

Em função do expressivo aumento da entrada de capital chinês nessa período, o MDIC decidiu mapear os anúncios de investimentos no Brasil, feitos por empresas chinesas, para traçar uma estratégia de atuação. Celino disse que a ação governamental foi importante para direcionar algumas iniciativas e os resultados começaram a ser sentidos em 2011. "O ano passado foi o ano de transição. Dá para ver claramente na evolução dos anúncios de investimento por setor", afirma.

Diversificação. Em 2011, investimentos no setor de petróleo, gás, carvão e de mineração ainda representaram uma parte significativa dos anúncios chineses, mas os setores automotivo, alimentação e fumo, telecomunicações e máquinas industriais começaram a ter uma fatia expressiva no bolo. Celino acredita que o maior anúncio de investimentos no setor automotivo é resultado da política de taxação maior sobre carros importados.

Os dados deste ano mostram que os chineses ainda devem colocar mais recursos em mineração, mas os anúncios neste área caíram de US$ 2,7 bilhões em 2011 para US$ 651,1 milhões até agora. No setor automotivo, que só recebeu US$ 60 milhões em 2010, os anúncios de investimentos subiram para US$ 1,92 bilhão em 2011 e US$ 2,12 bilhões até setembro. Os chineses também mostraram interesse este ano pelo setor de energia elétrica. Os valores saltaram de US$ 115,8 milhões para US$ 2,52 bilhões..

Outro movimento percebido pelo governo é a vinda para o Brasil de mais instituições financeiras chinesas. "Neste cenário adverso, a China se coloca como grande fonte de recursos para financiar empresas chinesas na relação com o Brasil e vice-versa", destacou. Os anúncios de investimentos no setor de serviços financeiros somou US$ 250 milhões de janeiro a setembro deste ano. Em 2011, não houve anúncio chinês nesta área.

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