China nega embargo à exportação de terras raras ao ocidente

A China é responsável por 97% da produção mundial de minerais de terras raras, um conjunto de substâncias de ampla aplicação nas indústrias militar e de alta tecnologia

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

20 de outubro de 2010 | 17h36

O Ministério do Comércio da China voltou a negar nesta quarta-feira,20, informações segundo as quais Pequim teria embargado a exportação de terras raras aos Estados Unidos e à Europa. O ministério assegurou que a China "continuará a fornecer terras raras para o mundo". De acordo com o ministério, as reportagens veiculadas pela mídia sobre o embargo são "falsas" e "sem fundamento".

A China é responsável por 97% da produção mundial de minerais de terras raras, um conjunto de substâncias de ampla aplicação nas indústrias militar e de alta tecnologia. O uso das terras raras por essas indústrias vai da construção de painéis solares e turbinas eólicas à de mísseis teleguiados.

O jornal norte-americano New York Times noticiou ontem em sua página na internet que, semanas depois de ter embargado a exportação de terras raras ao Japão, a China teria passado a aplicar a suspensão também aos compradores nos EUA e na Europa. O periódico cita fontes anônimas para informar que autoridades alfandegárias chinesas começaram a impor as restrições na manhã de segunda-feira, depois de semanas de atrasos na entrega de alguns carregamentos de terras raras para o Ocidente. A revelação veio à tona no mesmo dia em que a mídia chinesa noticiou que Pequim planeja reduzir as cotas de exportação de minerais de terras raras em 2011.

Oficialmente, porém, a China nega a imposição de um embargo formal às exportações. "Nós não tomamos nenhuma medida de restrição (às exportações)", disse um funcionário do Ministério do Comércio da China à agência japonesa de notícias Kyodo ao ser questionado sobre o teor da reportagem do New York Times.

De acordo com empresas de carga, empresas de exportação e compradores desses minerais, a alfândega chinesa tem examinado mais detalhadamente os carregamentos destinados à exportação, normalmente alegando como motivo a intenção de reprimir o comércio ilegal de minerais de terras raras.

Mark A. Smith, executivo-chefe da Molycorp, maior produtora de terras raras dos Estados Unidos, não demonstrou preocupação com a aparente suspensão das exportações, mas observou que a estratégia chinesa de limitar as exportações expõe a necessidade de se buscar fornecedores alternativos das matérias-primas. As informações são da Dow Jones.

 

Tudo o que sabemos sobre:
terras rarasChinaembargo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.