China planeja abrir mercado de capitais

O presidente do Banco Popular, o banco central da China, Dai Xianglong, e o vice-premier, Wen Jiabao, confirmaram que o país planeja abrir gradualmente o mercado de capitais para investimentos internacionais. Falando no simpósio da Associação das Nações do Sudeste da Ásia sobre fluxos de capital de curto prazo, Dai confirmou que os agentes reguladores do banco central estão atualmente estudando um sistema semelhante ao adotado por Taiwan em 1991, que permitiria investimentos limitados em ações locais por bancos, seguradoras, administradores de fundos, corretoras e outras instituições, como fundos mútuos e de pensão, com a aprovação da agência reguladora do mercado de valores mobiliários chinês. O sistema também permitiria que bancos, seguradoras e administradoras de fundos locais invistam em ações de mercados estrangeiros. Esse sistema deve dar uma grande liquidez ao mercado de ações de Hong Kong. Dai não apresentou um prazo para a aprovação destes projetos, mas apenas indicou que a adoção acontecerá quando as condições foram adequadas. Wen destacou que a abertura do mercado de capitais da China só poderá ser feita quando os legisladores estiverem seguros quanto ao fato de que a estabilidade econômica do país pode ser mantida, ao mesmo tempo em que se diminuem as restrições. As declarações dos dois representantes vieram em meio a notícias de que a China planeja permitir negociações do yuan em Hong Kong. A moeda do país atualmente é negociada em Xangai ante o dólar, euro, iene e o dólar de Hong Kong. Entretanto, a moeda somente é conversível na conta de comércio, e a taxa de câmbio é mantida em cerca de 8,277 yuans por dólar. O presidente do Banco da Ásia Oriental, David Li, disse à agência Dow Jones que o próximo Congresso Nacional do Partido Comunista em novembro deverá aprovar a regulamentação para a negociação do yuan em Hong Kong. A decisão se segue a intenso lobby do secretário de Finanças de Hong Kong, Antony Leung, e do executivo-chefe da Autoridade Monetária de Hong Kong, Joseph Lam, segundo David Li. Com o investimento estrangeiro direto na China devendo chegar a US$ 50 bilhões este ano, a permissão para negociações estrangeiras em yuan deve diminuir o estrangulamento dos fluxos de fundos entre a China e os potenciais credores e clientes de fora do país. Entretanto, tanto Wen quanto Dai destacaram que a conversibilidade do yuan na conta de capital vai acontecer de forma gradual, e qualquer expansão das negociações vai continuar limitada à conta corrente chinesa. A demanda de yuan por parte de exportadores e importadores domina o mercado de moeda estrangeira em Xangai. Mas a procura pelo yuan deverá se ampliar aos investidores institucionais estrangeiros, se os legisladores concordarem em introduzir as mudanças antes do congresso do partido, que começa em 8 de novembro. O economista do Salomon Smith Barney na China, Yiping Huang, espera um anúncio antes do início do congresso. "Acreditamos que a nova política poderia estimular o mercado doméstico de ações através do aumento da confiança, mas isso provavelmente terá curta duração (cerca de seis meses) com entradas de capital limitadas e contínua necessidade de consolidação de mercado", disse Huang em nota aos clientes.

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