China planeja quebrar contratos e devolver soja

As 16 maiores processadoras de soja da China decidiram ontem atuar em conjunto para coordenar as importações e dividir os estoques existentes do grão entre si. Também decidiram atrasar ou devolver "tanto quanto possível" cargas que estejam para chegar ao país até o final de junho e cancelar ordens de importação no segundo semestre do ano. Essas 16 esmagadoras são responsáveis pela metade da capacidade de processamento do país, de 60 milhões de toneladas de soja por ano. Seus diretores se reuniram ontem e, segundo informações de traders que tiveram acesso à minuta desse encontro, as medidas têm o objetivo de "combater o elevado preço das importações". O documento não especifica o volume da soja que as empresas pretendem devolver ou atrasar o recebimento.Em um primeiro momento, esmagadoras instaladas na mesma região vão compartilhar estoques. Se isso não for suficiente, diz a minuta, as esmagadoras do norte do país fornecerão soja às do sul, usando os contratos futuros da bolsa doméstica (DCE) como parâmetro de preço. "As empresas do norte apóiam esse plano", diz o documento. A queda na demanda por subprodutos de soja, especialmente o farelo, pegou a indústria com os estoques cheios do grão, importado a altos preços. O menor consumo de farelo foi provocado pela epidemia de influenza aviária que atingiu vários países asiáticos. Traders locais dizem que as margens de lucro das processadoras chinesas caiu e as empresas terão de se coordenar para sobreviver."Devolver uma carga Panamax de soja é perder um milhão de dólares. Eles não têm opção porque a maioria das cargas importadas em maio e junho foram compradas a preços muito altos", disse o corretor de uma trading baseada em Xangai. Uma carga Panamax tem de 50 mil a 60 mil toneladas de soja. Algumas cargas foram compradas a mais de 4.100 yuans por tonelada (cerca de US$ 495). Com o óleo de soja cotado a 6.900 yuans/t e o farelo a 3.200 yuans/t, as esmagadoras estão perdendo mais de 300 yuans por tonelada de soja importada - 19% de cada tonelada de soja vão para a produção de óleo e pouco mais de 79% para a produção de farelo. A China é o maior importador mundial de soja. Suas compras totalizaram 20,74 milhões de toneladas em 2003.

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