China pode atingir metas, acredita Wen

No entanto, premiê chinês adverte que dificuldades vão durar 'algum tempo' sem falar claramente em flexibilização monetária

JOE MCDONALD , ASSOCIATED PRESS / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h08

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse que o país ainda pode atingir as metas econômicas deste ano, mas adverte que as dificuldades devem continuar por algum tempo e as condições comerciais ficarão ruins.

Durante uma visita ontem ao leste da China, Wen citou uma pequena melhoria na produção industrial e disse que o emprego está estável, segundo a agência oficial de notícias Xinhua (Nova China).

As declarações do primeiro-ministro não deram nenhuma indicação direta de que Pequim estuda novos cortes nas taxas de juros ou outras medidas de estímulo para reforçar o crescimento que caiu para o ponto mais baixo em três anos, 7,6%, no trimestre que terminou em junho. Trata-se um crescimento relativamente forte em comparação com Estados Unidos, Europa e Japão, mas o resultado afetou as empresas chinesas que dependem de um crescimento mais forte para impulsionar as vendas.

"Nós temos as condições e capacidade e com certeza cumpriremos as metas de desenvolvimento econômico e social deste ano", disse Wen.

Entretanto, ele também "advertiu que a base da estabilização econômica ainda está instável, e que as dificuldades econômicas poderão continuar por algum tempo".

O governo cortou por duas vezes as taxas de juros desde o início de junho e está injetando dinheiro na economia via o aumenta dos investimentos em empresas estatais. As autoridades estão resistindo aos apelos por uma ação mais agressiva depois que seu estímulo enorme em resposta à crise global de 2008 alimentou a inflação e um boom perdulário da construção.

A meta de crescimento estabelecida pelo Partido Comunista para o ano é de 7,5%. Analistas do setor privado esperam um crescimento em torno de 8,0% no ano inteiro.

A desaceleração traz o risco de perdas de emprego e agitação social num momento em que o partido governante está tentando promover a calma antes da transmissão de poder para líderes mais jovens programada para este ano.

Efeito dominó. Alguns analistas, inicialmente, esperavam que a economia relativamente robusta da China se recuperaria a partir do começo deste ano, mas empurraram para frente essa previsão depois de uma série de más notícias da Europa e dos Estados Unidos.

O crescimento das exportações em julho despencou para 1,0%, bem abaixo de projeções já anêmicas de cerca de 5,0%, e a produção industrial e os gastos de consumo se enfraqueceram apesar dos esforços para estimular a economia.

A retração se deve, em parte, aos esforços do governo em 2010-2011 para esfriar o superaquecimento e a inflação com uma redução do crédito e dos investimentos. Os dirigentes chineses mudaram de rumo no ano passado e afrouxaram alguns controles após a demanda global despencar, mas mantiveram controle sobre as compras e investimentos domésticos para evitar um excesso de construção e um aumento dos custos da habitação.

Wen conclamou as autoridades locais a "trabalharem de acordo com as novas condições e realidades locais", segundo a agência Xinhua, que não deu maiores detalhes.

Destaques. O primeiro-ministro chinês apontou melhorias em algumas áreas nas quais a queda das vendas derrubou milhares de pequenos exportadores. Wen disse que a produção industrial nas Províncias de Guangdong e Zhejiang no sudeste, e Jiangsu , ao norte de Xangai, cresceu respectivamente 1,4, 1,9 e 0,7 pontos porcentuais em julho numa comparação com a produção no primeiro semestre.

O primeiro-ministro disse ainda que a economia nacional criou 8,12 milhões de novos empregos urbanos nos primeiros sete meses do ano, um aumento de 390 mil em relação ao mesmo período do ano passado.

Wen advertiu aos administradores de empresas que eles "deveriam se preparar para um período relativamente longo de fraqueza no comércio exterior", ainda segundo a agência oficial.

O governo estabeleceu uma meta de 10% para o crescimento do comércio neste ano, O comércio cresceu 9,2% no primeiro semestre, mas a meta para o ano inteiro parece cada vez mais difícil ser cumprida. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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