China pode retomar compra de soja brasileira em julho

O chefe do Departamento Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Getúlio Pernambuco, afirmou nesta sexta-feira que a China deve retomar as compras de soja brasileira em julho. O motivo, segundo ele, é a redução dos estoques de passagem de farelo de soja. Alegando mistura de sementes tratadas com fungicidas em carregamentos, a China suspendeu as compras de soja fornecida por oito empresas.Pernambuco contou que a ocorrência de "gripe do frango" na China, com posterior abate das aves, fez a demanda por farelo de soja cair significativamente. "Os esmagadores chineses estavam estocados. Os preços combinados para compra do Brasil estavam elevados, ou seja, houve movimentação para retardar os embarques e renegociar contratos", admitiu ele. Segundo Pernambuco, a dificuldade do governo em finalizar a instrução normativa que trará regras para a mistura de soja com sementes tratadas é que o Ministério da Agricultura prometeu aos chineses "tolerância zero", mas agora quer adotar outro padrão, que permita mistura mínima.Apesar das expectativas, inclusive de fontes do ministério, a instrução normativa não foi publicada na edição de hoje do "Diário Oficial da União". Ele disse que o Brasil não tem, a curto prazo, condições de atender à exigência da China de "tolerância zero" para a mistura de sementes em carregamentos de soja.Proposta brasileiraO governo brasileiro propõe a adoção do padrão americano, de três sementes tratadas por quilo de soja. Se constatada a presença de quatro ou mais sementes por quilo de soja, o lote é considerado impróprio para consumo humano. "Esse é um valor ínfimo para a saúde humana e animal", afirmou Pernambuco.Para ele, se a China mantiver a postura de "tolerância zero", em outras palavras, ela quer dizer "que não vai fazer importação de soja do Brasil". Ele aposta, no entanto, em solução para o impasse. Números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que as exportações brasileiras vão crescer de 21 milhões para 45 milhões nos próximos 10 anos, basicamente em função da demanda por parte da China.

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