China poderá cortar compulsório se desaceleração persistir

O banco central da China pode contar com cortes no montante de dinheiro que os bancos devem manter como reservas a fim de impulsionar o crescimento, mas reserva outros cortes nas taxas de juros como a última opção, segundo afirmaram economistas familiarizados com o processo de formulação de políticas de Pequim.

REUTERS

19 de junho de 2012 | 10h25

Novo apoio de política pode ser necessário, ao passo que o crescimento pode não avançar no segundo trimestre ou o ritmo de recuperação pode ser fraco, disseram os economistas, citando a contínua fraqueza da demanda global.

O Banco do Povo da China (banco central) cortou as taxas de juros em 7 de junho pela primeira vez desde a crise financeira de 2008 e 2009, seguindo três cortes na taxa de compulsório desde novembro.

O momento escolhido para tal ação surpreendeu os investidores, que temiam que isso poderia sinalizar que a segunda maior economia do mundo está se dirigindo para uma desaceleração forte. Mas embora os últimos dados econômicos para maio de fato confirmem que o crescimento está esfriando, eles não deram indicações de um declínio muito acentuado.

"O banco central pode cortar mais a taxa de compulsório, mas ele pode ser muito cauteloso para cortar as taxas de juros, a menos que a economia continue a desacelerar num ritmo mais rápido que o esperado", afirmou Wang Jun, economista sênior do Centro para Economia Internacional da China, um instituto de pesquisa sediado em Pequim.

"As autoridades perceberam que é impossível afrouxar as políticas agressivamente, uma vez que isso pode ser custoso. Os preços de imóveis são uma das principais preocupações para eles", afirmou o economista à Reuters nesta terça-feira.

Ecoando os preocupações dos economistas de que a desaceleração da China pode persistir no segundo semestre do ano, um número crescente de banqueiros chineses espera que Pequim afrouxe ainda mais a política no terceiro trimestre, de acordo com a última pesquisa do banco central divulgada nesta terça-feira.

Embora os empréstimos bancários da China tenham se recuperado em maio ante abril, analistas preocupam-se que muitos dos novos empréstimos possam estar relacionados à aceleração dos projetos de infraestrutura do governo, à medida que não refletem uma retomada da atividade econômica como um todo.

Pequim deixou claro que não repetirá outro estímulo fiscal massivo similar ao pacote de gastos de 4 trilhões de iuans (629 bilhões de dólares) do final de 2008, que impulsionou o crescimento mas deixou um legado desagradável de fortes pressões inflacionárias e uma potencial bolha imobiliária.

(Reportagem de Kevin Yao)

Tudo o que sabemos sobre:
MACROCHINAESTIMULO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.