Leong Chun Keong/TopVision
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China põe fim a bloqueio a grandes navios da Vale

Proibição, que estava em vigor desde 2012, foi revertida após mineradora fechar acordo com empresas chinesas de navegação

O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2015 | 02h06

O governo chinês e a mineradora Vale chegaram a um acordo para que os navios de grande porte da gigante brasileira voltem a atracar no país, informou ontem o jornal local 'South China Morning Post'.

Esse acordo representa o fim de três anos de bloqueio por parte do país asiático, iniciado quando a mineradora adquiriu sua frota de navios de transportes de carga a granel, conhecidos como Valemax, apesar da resistência de Pequim à época.

Um boletim do Ministério de Transportes chinês, publicado ontem, fez uma alteração na regulação da gestão dos grandes navios graneleiros nos portos, o que permitirá ao modelo Valemax, com capacidade de cerca de 400 mil toneladas de peso bruto, atracar no país asiático.

A China, maior consumidora mundial de ferro e que importa 85% da commodity do Brasil e Austrália, espera exercer um maior controle dos preços do principal componente do aço, segundo analistas explicaram ao South China Morning Post.

Em 2008, a Vale decidiu adquirir uma frota de navios cargueiros maiores para baratear o preço de venda para China e competir melhor com as empresas australianas.

À época, a associação de cargueiros do país criticou a decisão por considerar a atitude um "monopólio" da mineradora, que controlaria assim tanto a produção como o transporte.

No início de 2012, as autoridades chinesas impediram o atraque de navios com mais de 350 mil toneladas de peso bruto em seus portos alegando razões de segurança. Esta proibição também foi vista como um movimento para proteger os interesses da maior empresa de embarcações do gigante asiático, a estatal Companhia de Transporte Oceânico da China (Cosco), que fornecia cargueiros para a Vale.

A suspensão dessa medida era esperada desde o ano passado, quando a Vale e duas transportadoras nacionais fecharam acordo, disse o analista Jiang Ming, da Haitong Securities, ao jornal chinês. "Depois dos acordos com a Cosco e a China Merchants, a declaração do governo é apenas a última peça do quebra-cabeça. É de se esperar que outras empresas de navegação nacionais, como a China Shipping e a Sinotrans, sigam o exemplo e fechem contratos com a Vale", disse Jiang Ming.

Ações. Mesmo com essa notícia, considerada positiva para a Vale, as ações da empresa fecharam com forte queda ontem. As ações ordinárias caíram 5,51%, a R$ 20,40, e as preferenciais, recuaram 4,78%, a R$ 17,72.

A desvalorização dos papéis refletiu o pessimismo do mercado em relação à economia chinesa. A inflação no país asiático desacelerou em janeiro para o menor nível em cinco anos.

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