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China precisa de reformas para se desenvolver, diz relatório

Um estudo apresentado neste domingo em Pequim, durante um encontro do Fórum Econômico Mundial, sugere que a China só vai se consolidar, entre os países desenvolvidos, se promover profundas reformas. O relatório "China e o Mundo: Cenários para 2025" baseia-se na opinião de mais de cem especialistas e foi elaborado durante discussões em Pequim, Londres, Paris, Xangai, Cingapura e Washington. As discussões desses encontros resultaram em três distintas previsões para o futuro da economia chinesa. Na versão mais otimista, apelidada de "Nova Rota da Seda", a China desfrutaria de um crescimento anual médio de 9% graças a reformas domésticas que incluem a reestruturação do sistema financeiro; a separação dos poderes legislativo, executivo e judiciário; a promoção de maior transparência no sistema administrativo; a proteção à propriedade intelectual e o estímulo à inovação. Paralelamente às reformas internas, a China deveria promover uma maior abertura de mercado e a intensificar as trocas comerciais, sugere o estudo. Impacto global Isso beneficiaria não apenas o país, mas também a economia global. Dessa forma, por exemplo, no período entre 2020-2025 o Brasil cresceria na média 4,3% ao invés de 4,1%, em contraste a um outro cenário, no qual a China limitaria o comércio exterior. "Com o crescimento da classe média, a tendência é um igual crescimento do consumo em geral, inclusive de alimentos com valor agregado. A pergunta é: quem vai fornecer isso? Pode ser o Brasil", analisou Alexander Van de Putte, diretor de práticas globais do Fórum Econômico e um dos organizadores do estudo em entrevista à BBC Brasil.Van de Putte acrescenta ainda que o cenário positivo é o mais provável, porém condições que não dependem da China, como a adoção de uma postura altamente protecionista pelos países ricos, poderiam influenciar os rumos do desenvolvimento.Em um cenário pessimista, a China poderia perder o bonde do desenvolvimento, se fracassar na implementação das reformas. Nessa previsão, o país registraria crescimento médio de 6,0%.O resultado seria um aumento nas diferenças sociais e conseqüente insatisfação popular. Haveria o risco de a China retroceder democraticamente e o nível de desenvolvimento humano cairia. Mundo protecionista No terceiro cenário, a China não dependeria apenas de sua capacidade de se reestruturar, mas seria conduzida pelos ventos do comércio internacional. Caso os países ricos, como os Estados Unidos e os membros da União Européia, tornem-se mais protecionistas, a solução para a China seria voltar-se para os parceiros regionais da Ásia. Nesta situação, a Índia seria beneficiada e registraria um crescimento médio de 6,4%, em contraste com os 6,0% do cenário anterior. A China ainda poderia se consolidar como país desenvolvido se conduzisse as reformas necessárias, porém cresceria numa média de apenas 7,5% ao ano.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2006 | 10h55

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