China: premiê confirma déficit comercial e atrai debate sobre câmbio

Déficit, que seria o primeiro mensal desde abril de 2004, pode enfraquecer os argumentos em defesa da apreciação do yuan

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

23 de março de 2010 | 12h27

O superávit comercial da China tem caído nos últimos meses, levando a balança comercial para um déficit de cerca de US$ 8 bilhões no início de março, disse o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao. Tal déficit, que seria o primeiro mensal desde abril de 2004, pode enfraquecer os argumentos em defesa da apreciação do yuan, em um momento em que a pressão internacional pela valorização da moeda tem crescido.

 

O crescimento econômico chinês no ano passado "foi atingido basicamente com base na demanda doméstica", afirmou Wen. Desde então, o superávit chinês tem diminuído e, no primeiro um terço de março, a China registrou um déficit comercial de cerca de US$ 8 bilhões, afirmou. "Para ser honesto, estou muito feliz com isso", acrescentou o premiê chinês.

 

Os comentários seguem-se a declarações feitas domingo pelo ministro do Comércio da China, Chen Deming, alertando ao fato de que a China registrará déficit comercial em março. Os números finais não devem ser divulgados antes de 11 de abril, mas as revelações das autoridades chinesas demonstram aumento na defesa pelo governo de uma política que arranca fortes críticas de seus parceiros comerciais.

 

O Departamento do Tesouro dos EUA deve, em seu relatório semestral sobre políticas de câmbio de 15 de abril, decidir se classificará formalmente a China como país manipulador de moeda.

 

As declarações de Wen não devem, no entanto, diminuir a pressão do legislativo norte-americano para que a administração Obama tome uma ação contra a China por manter sua moeda valorizada. Alguns senadores apresentaram um projeto de lei na semana passada que exigirá dos EUA a elevação de tarifas e outras penalidades para países que ignorem o desalinhamento de suas moedas, claramente direcionado à China.

 

Pequim diz que sua política cambial ajuda a estabilizar a economia mundial, mas há críticas no exterior de que os exportadores chineses são beneficiados em relação aos seus concorrentes pela manutenção da moeda subvalorizada.

 

A China mantém o yuan praticamente inalterado contra o dólar desde julho de 2008, encerrando uma apreciação gradual iniciada em julho de 2005, quanto Pequim ajustou a moeda em 2,1% contra o dólar e deu início a um sistema de referência do yuan contra uma cesta de moedas.

 

Alguns economistas dizem também que a apreciação do yuan pode ajudar a China a conter os riscos inflacionários, ao reduzir o custo das matérias-primas importadas e reduzir o ritmo da demanda de fábricas exportadoras. Pequim diz que a moeda não está subvalorizada. Enquanto enfrenta pressão da indústria doméstica para não permitir a valorização do yuan, o governo chinês diz que a recuperação econômica, embora melhor do que a maioria das economias, precisa ser consolidada. As informações são da Dow Jones.

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