China prepara medidas para manter expansão

Crise internacional leva o governo a tentar estimular o consumo interno para evitar a desaceleração econômica

O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2008 | 00h00

O vice-primeiro-ministro da China, Li Queqiang, uma estrela política em ascensão em Pequim, injetou ontem um pouco de ânimo na economia mundial ao indicar que seu país não tem outra opção a não ser estimular a demanda doméstica para sustentar seu crescimento. "As autoridades devem trabalhar para promover o crescimento dos investimentos em habitação e o consumo para fomentar o gasto doméstico", disse Li à agência oficial de notícias Nova China. De acordo com o vice-ministro, estimular a demanda doméstica é essencial para sustentar o crescimento. "É uma necessidade urgente, enquanto enfrentamos também mudanças na situação econômica internacional", comentou Li, durante visita à cidade de Tiangjin, no norte do país. Li, considerado um possível candidato a primeiro-ministro em 2013, reafirmou a posição de seu governo de que as prioridades econômicas são manter o crescimento econômico estável e forte e controlar a a escalada da inflação. A expansão econômica chinesa desacelerou para 10,4% no primeiro semestre deste ano, ante 11,9% em igual período do ano passado, causando preocupação às autoridades. O governo teme que uma freada nas exportações conduza o país a uma desaceleração abrupta do crescimento econômico. De janeiro a julho, o saldo (superávit) das transações comerciais chinesas com o resto do mundo declinou 9,6% na comparação com igual período de 2007.Alguns analistas se surpreenderam com as palavras de Li porque o governo chinês adotou recentemente várias medidas - como a alta dos juros - para tentar esfriar o crescimento e, com isso, reduzir a alta da inflação, que chegou perto de 10% em termos anuais. PACOTEO economista Franck Gong, do banco de investimentos JP Morgan Chase, afirmou que o governo chinês avalia a adoção de uma série de medidas para sustentar o crescimento acelerado. Entre essas medidas estariam a flexibilização das políticas monetária (juros) e fiscal (gastos públicos) e a injeção massiva de dinheiro na economia."As altas autoridades do país avaliam a possibilidade de adotar um estímulo econômico de 200 bilhões a 400 bilhões de yuans ( 39 bilhões), equivalente a até 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país", informou Gong, em nota. Esse montante se somaria ao que foi destinado à reconstrução da Província de Sichuan, devastada pelo terremoto de 12 de maio deste ano, estimado em mais de 500 bilhões de yuans ( 47 bilhões).As declarações de Li animaram os mercados mundiais de ações, incluindo o chinês e o brasileiro, já que o país continuará um grande importador. A Bolsa de Xangai fechou em alta de 7,6%, a maior desde 24 de abril. A Bolsa de Valores de São Paulo subiu 3,24%.

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