China prevê desaceleração das exportações no semestre

O crescimento das exportações da China vai se desacelerar no segundo semestre deste ano, em razão da crise de dívida da zona do euro (que reúne os 16 países que adotam o euro como moeda) e do aperto da política monetária em economias emergentes. A informação foi dada hoje pelo Ministério do Comércio do país. No entanto, o ministério disse que as importações ainda vão aumentar.

DANIELLE CHAVES E CLARISSA MANGUEIRA, Agencia Estado

20 de julho de 2010 | 10h49

O governo chinês estará bastante atento ao desempenho das exportações no segundo semestre, especialmente porque, em 19 de junho, o Banco do Povo da China (PBOC, o banco central do país) flexibilizou o câmbio do yuan e eliminou a fixação da moeda ao dólar, que havia sido estabelecida para estabilizar a economia durante a crise financeira global. Desde então, o yuan subiu cerca de 0,7% diante da moeda norte-americana.

Enquanto a queda nas exportações vai ajudar Pequim em seus esforços para reduzir o superávit comercial do país com seus maiores parceiros globais, o crescimento da pressão sobre os exportadores chineses vai limitar a capacidade do governo de deixar o yuan se valorizar. "O Ministério do Comércio vai monitorar mais a situação dos exportadores e vai fazer sugestões sobre a política cambial do yuan", afirmou Yao Jian, porta-voz do ministério.

Yao observou, porém, que a queda nas exportações para a zona do euro não deverá ser grande. No primeiro semestre deste ano as exportações totais da China cresceram 35,2% em comparação com o mesmo período do ano passado. Yao também afirmou que a lucratividade dos exportadores diminuiu neste ano por causa do aumento dos custos. O ministério estima que os custos das matérias-primas para as companhias subiram de 20% a 30%, na mesma base de comparação.

Siderurgia

O governo chinês também planeja reduzir o número de siderúrgicas no país em cerca de três quartos, afirmou Chen Yanhai, diretor do departamento da indústria de matérias-primas do Ministério da Indústria e da Tecnologia da Informação. Yanhai disse que o governo pretende cortar o número de siderúrgicas domésticas de cerca de 800 para somente 200. Segundo ele, a capacidade de produção de aço da China tem crescido entre 60 milhões de toneladas e 70 milhões de toneladas por ano desde 2004.

Na semana passada, o ministério reiterou seus planos de fechar as usinas siderúrgicas com capacidade para produzir menos de 1 milhão de toneladas de aço. O governo pediu que as empresas que produzem menos de 300 mil toneladas de produtos de aço de alta qualidade deixem o mercado. As medidas não afetam as maiores siderúrgicas do país, com níveis de produção muito acima de 1 milhão de toneladas. No entanto, os planos destacam o desejo da China de remover centenas de fornos siderúrgicos de pequena escala que permeiam o país.

Os analistas da indústria se mostraram céticos, em sua maioria, sobre os planos do governo chinês, que têm sido repetidos de formas similares por anos. "O governo quer cortar o excesso de capacidade por meio da consolidação, mas até agora isso não surtiu muito efeito", afirmou Chen Yue, analista da Shanghai Cifco Futures. As informações são da Dow Jones.

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