China promete retaliar Estados Unidos

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China promete retaliar Estados Unidos

Anúncio de Pequim é resposta à decisão de Donald Trump de impor tarifa de 10% sobre US$ 300 bilhões de importações chinesas

Reuters

02 de agosto de 2019 | 23h33

A China prometeu nesta sexta-feira, 2, revidar a decisão abrupta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifa de 10% sobre US$ 300 bilhões de importações chinesas, uma medida que encerrou uma trégua comercial que durava um mês. O novo embaixador da China nas Nações Unidas, Zhang Jun, disse que Pequim tomaria “contramedidas necessárias” para proteger seus direitos e descreveu o movimento de Trump como “um ato irracional e irresponsável”.

“A posição da China é muito clara: se os EUA quiserem conversar, conversaremos. Se quiserem brigar, brigaremos”, disse Zhang em Nova York, sinalizando que as tensões no comércio podem prejudicar a cooperação entre os países em relação à Coreia do Norte.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, também se pronunciou sobre o assunto na sexta. Disse que o país está se mantendo firme na disputa tarifária com os Estados Unidos. “Não vamos aceitar pressão máxima, intimidação ou chantagem”, afirmou Hua em entrevista coletiva em Pequim.

“Sobre as principais questões de princípio, não cedemos uma polegada”, disse ela, acrescentando que a China espera que os Estados Unidos “desistam de suas ilusões” e retornem às negociações com base no respeito mútuo e na igualdade.

As medidas de retaliação da China poderiam incluir tarifas e a proibição da exportação de matérias-primas usadas em equipamentos militares e produtos eletrônicos de consumo, além de penalidades contra empresas americanas na China, segundo analistas.

Pequim também está elaborando uma lista de “entidades não confiáveis” – empresas estrangeiras que têm prejudicado os interesses chineses. A gigante norte-americana FedEx está sendo investigada pela China.

“A China fará cada retaliação metódica e deliberadamente, uma a uma”, escreveu a economista do ING Iris Pang, em nota.

Acreditamos que a estratégia da China nesta escalada da guerra comercial será retaliações e desacelerar o ritmo das negociações. Isso pode prolongar o processo de retaliação até as próximas eleições presidenciais dos EUA”, em novembro de 2020, disse Pang. As taxações também podem forçar o Federal Reserve (o Fed, o banco central dos EUA) a cortar novamente as taxas de juros para proteger a economia americana de riscos da política comercial, disseram especialistas.

Até agora, Pequim se absteve de taxar petróleo e grandes aeronaves dos Estados Unidos, depois de impor tarifas adicionais retaliatórias de até 25% sobre cerca de US$ 110 bilhões de mercadorias americanas desde o início da guerra comercial no ano passado.

Nos EUA. Trump, por sua vez, afirmou que a China precisa fazer muito para mudar as negociações comerciais e repetiu uma ameaça anterior de aumentar substancialmente as tarifas caso Pequim não aja como ele quer. “Não podemos apenas fazer um acordo com a China. Temos de fazer um acordo melhor com a China”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca.

O presidente dos Estados Unidos surpreendeu os mercados financeiros na quinta-feira ao dizer que planeja cobrar tarifas adicionais a partir de 1º de setembro, marcando o fim repentino da trégua entre as duas maiores economias do mundo. A guerra comercial entre os países já dura um ano e tem enfraquecido o crescimento econômico global e prejudicado cadeias de fornecimento.

O conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse a repórteres que o impacto das últimas tarifas sobre os consumidores será mínimo, apesar de a lista de quase US$ 300 bilhões de dólares abarcar quase todos os produtos chineses importados, como celulares, laptops, brinquedos e calçados. “O presidente não está satisfeito com o progresso do acordo comercial”, acrescentou Kudlow.

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