China quer 10 anos para abertura

Governo reage à liberalização para produtos industriais e diz que ter déficit com país não é ''''ruim''''

O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

A China quer uma lei que garanta que, por uma década, não precisará fazer novas aberturas comerciais para produtos industriais. E os chineses ainda garantem: ter um déficit comercial com eles pode ser positivo, principalmente para as camadas mais pobres da população.Estudos já apontam que, pela primeira vez em sete anos, o Brasil apresentará um déficit com a China. O saldo negativo, segundo a Fundação Centro de Estudos em Comércio Exterior (Funcex), poderia chegar a US$ 1 bilhão.O governo chinês se recusa a aceitar a proposta feita em meados da semana pela Organização Mundial do Comércio (OMC) de dar dois anos de ''''bônus'''' para o país na Rodada Doha. O benefício foi oferecido a todos os países que entraram na entidade recentemente. A China aderiu à OMC em 2001 e, na ocasião, foi obrigada a abrir seu mercado. Agora, com a atual rodada, não quer ser obrigada a liberalizar mais uma vez seu comércio. O período de dois anos sugerido pela OMC, portanto, não seria suficiente e Pequim garante que vai lutar para ampliar a isenção para dez anos.''''A proposta (feita pela OMC) não é final'''', afirmou o embaixador da China na OMC, Sun Zhenyu. Ele admitiu que a idéia de manter o mercado sem novas quedas de tarifas sofre a oposição dos Estados Unidos, que quer ampliar o acesso de seus produtos ao mercado chinês. Um dos objetivos, portanto, seria reduzir o déficit comercial, que em 2006 foi de US$ 232,5 bilhões. Nos quatro primeiros meses de 2007, os europeus já acumularam um déficit de 50 bilhões com os chineses.Apesar de querer manter seu mercado fechado, a China já ultrapassou os americanos em total de exportações em 2007. O país ainda é visto por muitos como potencialmente o maior risco para economias em desenvolvimento que terão de abrir seus mercados.Mas a diplomacia de Pequim garante que ter um déficit com a China não é necessariamente ''''ruim''''.''''Não podemos determinar o que as empresas fazem. Elas vão buscar seus materiais e produtos onde for mais barato. Além disso, a importação de bens chineses mais baratos ajuda a manter a inflação e possibilita que as camadas mais pobres da população também possam se tornar consumidoras'''', afirmou o embaixador.

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