China quer acordo de livre comércio com Brasil

A China está disposta a negociar um acordo de livre comércio com o Brasil. A afirmação é o vice-ministro do Comércio de Pequim, Long Yongtu, que declara ainda que outros países também estão na lista para iniciar um diálogo sobre preferências bilaterais. "Estamos prontos para iniciar conversas sobre o assunto com o Brasil", afirmou o vice-ministro, que atua como o principal negociador da China nas negociações internacionais. O subsecretário-geral de Comércio do Itamaraty, Clodoaldo Hugueney, confirma que irá visitar o país nos próximos meses e que poderá debater o tema com os diplomatas de Pequim. No Brasil, ninguém esconde que o ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, é um dos entusiastas da idéia da aproximação entre o País e a China, duas economias relativamente no mesmo estágio tecnológico e de desenvolvimento. O comércio entre os dois países, porém, ainda é pequeno - cerca de US$ 2,5 bilhões no ano passado. Produtos tradicionais da pauta de exportações do Brasil, como a castanha de caju e o café, ainda são comercializados na China por outros países. Mas desde que a China passou a fazer parte da Organização Mundial do Comércio (OMC), em novembro do ano passado, alguns produtores brasileiros já sentiram que podem ter grandes benefícios com o mercado chinês. Um desses setores é o do suco de laranja, que já conseguiu ampliar suas vendas à China. Mas um acordo de livre comércio com a China também necessitará um cuidado especial para não levar alguns setores produtivos do Brasil à falência. Pequim ocupa a posição de sétimo maior exportador mundial, somando em 2000 cerca de US$ 250 bilhões em vendas para o exterior. Enquanto o total das exportações brasileiras em 2000 aumentou em 14%, as vendas chinesas tiveram um desempenho invejável: 30% de crescimento. Além disso, o Brasil aplica barreiras aos produtos chineses, exatamente com o objetivo de impedir a prática de preços desleais. Desde o final dos anos 90, o governo estabeleceu salvaguardas para a importação de brinquedos da China. Na ocasião, ficou provado a prática de dumping na vendas das mercadorias chinesas, o que estava levando a indústria nacional ao colapso.

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