China quer fundo de pensão de U$ 300 bi e investir mais no exterior

Fundo de Seguridade Social estuda a compra direta de participações em companhias de capital fechado e em fundos de private equity

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

29 de março de 2010 | 17h22

O Fundo de Seguridade Social da China pretende aumentar seus investimentos no exterior e mais do que dobrar seus ativos totais nos próximos cinco anos, para aproximadamente US$ 300 bilhões. Dai Xianglong, presidente do Conselho Nacional do Fundo de Seguridade Social da China, afirmou ao Wall Street Journal que a instituição pretende aumentar a parcela de investimentos realizados em outros países, incluindo EUA e Europa, e estuda a compra direta de participações em companhias de capital fechado e em fundos de private equity. Segundo Dai, o Fundo de Seguridade Social pretende aumentar seu total de ativos para 2 trilhões de yuan até 2015, de 776,5 bilhões de yuan no final do ano passado.

 

A meta ambiciosa estipulada por Dai, um ex-diretor do banco central chinês, sugere que o fundo de pensão está cada vez mais insatisfeito com as opções limitadas de investimento que possui na China. Embora tenha obtido retornos grandes em algumas dessas aplicações, Dai, que coordena o Fundo de Seguridade Social desde 2008, disse que a instituição ainda "possui um amplo espaço" para expandir seus investimentos no exterior. Segundo ele, menos de 7% dos ativos do fundo estão no exterior, volume significativamente inferior ao teto de 20% permitido pelo governo.

 

Os comentários também destacaram a urgência e as pressões que a China enfrenta para atender à crescente demanda pelos recursos do fundo de pensão, um reflexo do envelhecimento de uma parcela crescente da população.

 

O Fundo de Seguridade Social foi montado em 2000 para proteger aposentados desprovidos de um sistema de previdência devido às reformas ocorridas no país. O governo abastece a instituição com recursos fiscais e também obriga que 10% dos proventos de ofertas públicas iniciais de ações de empresas estatais sejam injetados no fundo.

 

A organização possui autorização para investir no exterior com ativos denominados em moeda estrangeira derivados da venda das participações estatais em empresas que abrem capital em outros países.

 

Dai disse que as fontes de financiamento do fundo precisam ser ampliadas. "Até 2030, a lacuna dos fundos de pensão será muito grande devido ao envelhecimento da população. O governo central precisa ser previdente". Dai, de 65 anos, disse que as alternativas para essa questão incluem a permissão para que o fundo emita bônus e também a transferência de parte da receita gerada com a venda de recursos nacionais estratégicos para a instituição. Ele acrescentou, no entanto, que a decisão cabe ao governo central da China.

 

O lucro do Fundo de Seguridade Social com investimentos no ano passado somou 84,9 bilhões de yuan, um retorno de 16,1%, segundo Dai. O resultado ajudou a elevar a média anual de retorno do fundo desde 2000 para 9,75%. Em 2008, a instituição teve prejuízo de 39,37 bilhões de yuan, ou 6,79%, o primeiro de sua história.

 

Cerca de 60% do retorno de 2009 veio de investimentos no mercado de ações. O fundo também teve um retorno superior a 250% nos últimos três a quatro anos com as participações que detém em bancos estatais, como o Industrial & Commercial Bank of China e o Bank of Communications, afirmou Dai. Segundo ele, o fundo está comprometido a investir 20 bilhões de yuan no China Development Bank e 15 bilhões de yuan no Agricultural Bank of China, que também pertencem ao governo do país.

 

Dai deu um voto de confiança ao Ocidente, afirmando acreditar que a economia norte-americana vai se recuperar gradualmente e que a crise da dívida soberana em alguns países europeus, como a Grécia, dificilmente vai piorar.

 

O diretor do fundo de pensão espera que, após um estágio inicial de "estudo e exploração", o Fundo de Seguridade Social possa obter aprovação para assumir participações diretamente em empresas de capital fechado ou investir em fundos de private equity estrangeiros. Ele afirmou que o fundo está negociando com algumas instituições financeiras de Hong Kong sobre o assunto, mas não forneceu mais detalhes.

 

Dai disse que o yuan segue uma tendência de apreciação no longo prazo, mas que isso deve ter um impacto mínimo sobre o retorno dos investimentos. Ele acrescentou que o dólar provavelmente continuará sendo uma das principais moedas internacionais.

 

Domesticamente, onde o fundo é um dos principais investidores institucionais, Dai disse acreditar na perspectiva de longo prazo para os mercados de títulos da China. Segundo ele, o fundo não descarta investir em futuros de índices acionários chineses, que devem ser lançados em abril, e pode participar em negociações de margem ou transações de venda a descoberto.

 

O fundo também investiu em outros setores, incluindo em projetos de infraestrutura como a ferrovia de alta velocidade entre Pequim e Xangai e na Datang Telecom Technology. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.