China quer maior presença de produtos brasileiros

O presidente da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento em Intercâmbio Econômico e Comércio Exterior (CBCDE), Paul Lui, fez mais do que um apelo a empresários brasileiros para que olhem com mais atenção e entusiasmo o "quase incomensurável" mercado chinês. Em palestra na sede do Noronha Advogados, um dos principais escritórios de direito internacional em São Paulo e com representação em Xangai, Lui disse que as empresas nacionais não podem e nem deveria m ignorar um mercado consumidor de 400 milhões de pessoas - a China tem cerca de 1,3 bilhão de habitantes -, maior que o Brasil e os Estados Unidos juntos.Ele lembrou os pouco mais de 40 convidados do setor privado brasileiro que a China vem crescendo, desde meados da década de 90, a uma média superior a 8%. "Hoje é quase impossível mensurar o que esse crescimento representa para a China. Até as Naçõe s Unidas está preocupada porque, em alguns anos, o país estará quadruplicando sua economia e, certamente, enfrentará problemas de abastecimento de uma série de produtos", disse o executivo, sentado ao lado do cônsul da China em São Paulo, Shen Qin.O que é possível afirmar, acrescentou Lui, "é que esse crescimento está colocando no mercado consumidor do país cerca de 75 milhões de chineses a cada ano". Mal ou bem, esse número representa nada mais e nada menos do que meio Brasil por ano. Em 2003, a economia chinesa deve crescer entre 7,5% e 7,8% apesar da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Severa), que afetou o país no primeiro semestre deste ano.Lui lembrou também que em Shanghai, onde moram 13 milhões de pessoas, a renda per capita é de US$ 3 mil a US$ 4 mil, razão pela qual está se transformando em uma das cidades mais caras do mundo. "Curioso é que, em lojas e supermer cados, é possível ver produtos de todas as partes do mundo e menos do Brasil. E quando tem, é por meio de terceiros países", lamentou, ao se referir a café (grãos) brasileiro, mas processado pela Alemanha ou Itália. De acordo com ele, há sete anos o Brasil assinou um acordo com a China para enviar 1 milhão de sacas de café para a China, mas o compromisso não saiu do papel. "Lamentável é que o chinês tenha de consumir café alemão ou italiano", acrescentou.Lui disse também que, com o ingresso da China à Organização Mundial do Comércio (OMC), o país está importando US$ 4 bilhões de soja por ano, o equivalente a 18 milhões de toneladas. Mas, grande parte desse volume, está nas mãos das maiores multinacionais do mundo. "Apesar de a China já ser o segundo parceiro comercial do Brasil, acredito que está na hora de as empresas nacionais, e não as múltis, começarem a colocar mais seus produtos naquele mercado", disse Lui.

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