China reage à barreira dos Estados Unidos contra os pneus

País vai investigar a prática de subsídios na produção de autopeças

David Pierson, LOS ANGELES TIMES, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2009 | 00h00

A China reagiu à proposta de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos pneus produzidos no país e importados pelos EUA, ao anunciar ontem a realização de uma investigação das autopeças e derivados de frango americanos contra a prática de dumping e subsídios, segundo a mídia estatal chinesa.

A medida pode dar início a novas tensões comerciais entre os grandes parceiros econômicos numa época em que se esperava das duas potências que conduzissem o mundo para a saída da crise financeira global.

"Este caso é visto como um ponto de inflexão nas relações entre EUA e China, e deve representar uma tendência para formas sutis, se não declaradas, de protecionismo por parte de ambos os lados", disse James Zimmerman, sócio da empresa Squire Sanders & Dempsey, em Pequim. "Os negócios americanos na China devem se preparar para o que pode se mostrar uma retaliação zelosa por parte da China, o que poderia atingir uma ampla gama de interesses comerciais dos EUA." Por insistência da Comissão Americana de Comércio Internacional, o presidente Barack Obama anunciou na sexta-feira que seria imposta uma taxa de 35% sobre as importações de pneus chineses para carros e caminhonetes leves.

A decisão foi considerada uma grande vitória para os sindicatos americanos, mas atraiu críticas de vários grupos empresariais dos EUA, entre eles os principais fabricantes de pneus e grupos do agronegócio que dependem do mercado chinês.

Funcionários do governo chinês repudiaram a decisão, acusando os EUA de protecionismo e de violar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Eles argumentaram que a indústria americana de pneus tinha há muito abandonado a fatia inferior do mercado ambicionada pela China e disse que as importações de pneus chineses aumentaram apenas 2,2% entre 2007 e 2008.

Ao anunciar a investigação das importações americanas, o ministério chinês do comércio sinalizou estar preparado para contestar a decisão de Obama.

"Recentemente, o Ministério do Comércio soube pelas indústrias domésticas que autopeças e produtos de frango entraram no nosso país por meio da prática de dumping, subsídios e outros recursos comerciais injustos", declarou o ministério.

Os EUA exportaram para a China US$ 1 bilhão em autopeças nos primeiros seis meses do ano, um aumento de 9,1% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a mídia estatal.

Quando a China aderiu à OMC, em 2001, o país concordou em adotar um dispositivo de segurança que prevê tarifas por parte dos EUA se for determinado que um grande aumento nas importações provenientes da China representa uma ameaça aos americanos.

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