China reclama de burocracia para investir no Brasil

Empresários queixam-se de impostos, legislação trabalhista e obstáculos para obter visto de negócios

Rolf Kuntz, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2010 | 00h00

Empresários chineses queixaram-se ontem da burocracia brasileira para a concessão de visto de negócios. Além do problema dos vistos, eles apontam também o peso dos impostos, o complicado processo de abertura de empresas e a legislação trabalhista como principais obstáculos para quem pretende investir no Brasil, segundo relatou o secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China, Rodrigo Tavares Maciel. Para buscar soluções para as dificuldades dos investidores chineses, os dois países concordam em promover reuniões bilaterais a cada 45 dias, com participação de empresários e funcionários de governo. A proposta foi defendida pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior, Ivan Ramalho, em reunião realizada ontem em Xianmen, na China.A principal autoridade chinesa participante do encontro, o ministro-adjunto do Comércio Chen Jin, apoiou a idéia. Se for adotada, os encontros deverão ocorrer alternadamente no Brasil e na China. Os brasileiros, confirmou Rodrigo Tavares Maciel ao Estado, obtém seus vistos para viagem de negócio a China mais facilmente do que os chineses interessados em visitar o Brasil. No consulado do Rio de Janeiro, disse o secretário-executivo do Conselho Empresarial, o visto para brasileiros tem saído em 48 horas. Os brasileiros desejam investimentos de fora, mas dificultam a sua realização, têm dito os chineses, segundo conta Maciel. De acordo com ele, os chineses dizem ser difícil a aprovação dos planos nas suas empresas porque os impostos os tornam muito caros. A legislação trabalhista é apontada como um fator quase impeditivo, assim como a dificuldade do licenciamento ambiental.As queixas principais dos empresários da China interessados em investir no Brasil são praticamente as mesmas dos empresários brasileiros em relação aos impostos nacionais, à burocracia excessiva e ao custo final da mão de obra.Xianmen foi escolhida para a reunião de ontem porque lá se realiza uma feira internacional de investimentos, com participação do Brasil. Estiveram no encontro 24 empresários chineses e 343 brasileiros. Do lado oficial houve 4 representantes da China e 5 do Brasil.O presidente da Agência de Promoção de Exportações (Apex), Alessandro Teixeira, fez uma exposição sobre oportunidades de investimentos no Brasil. Destacou o agronegócio, mencionando especialmente as produções de etanol e biodiesel, e a infra-estrutura. Os chineses ouviram também uma exposição sobre aspectos legais dos investimentos estrangeiros. No Brasil, segundo foram informados, pelo menos a parte financeira é simples, bastando o registro da operação no Banco Central.

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